Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Infância

Tanjal

Por Luciana | 20/07/2010, 10h00

Quando era criança, em julho, ia pra colônia de férias da escola.

Íamos sempre pra Vivenda Verde. Eu adoro esse nome de Vivenda Verde.

Dia desses, tomei uma caipirosca de tangerina – em Beagá chamam caipivodca – e lembrei da Vivenda Verde.

Não, não bebíamos nada com vodca por lá.

O que rolava era muito Tanjal nessa vida.  

Tanjal é um concentrado de suco de tangerina que vem numa lata. Lembro que levávamos litros de suco de tangerina feito de Tanjal e mais um monte de sanduíches de pão de forma e patê, cortados em triangulinhos.

Aí tomo caipirosca de tangerina e digo que aquilo tem gosto de infância e fica difícil de acreditar.

Mas tem.

Pequeno Príncipe na OCA

Por Luciana | 06/01/2010, 15h15

Olha, infelizmente já acabou, mas foi lindo: O Pequeno Príncipe na OCA.

Fui à exposição no feriado de Finados e posso dizer que ela me tirou de um baixo-astral filho da mãe – sem contar a companhia…

Pra começar, inúmeros ambientes contando a história do livro com retroprojetores a iluminar por todos os cantos da OCA os desenhos queridos de Saint-Exupèry.

Destaque absoluto pra a caixinha do carneiro. Explico: um dos ambientes tinha três janelinhas redondas, fazendo com que nos sentíssemos dentro da caixinha com um carneiro dentro, desenhada pelo Aviador. Lá, um monte de giz de cera à disposição para que desenhássemos nas paredes! Muitos deixaram seus nomes, outros se arriscaram a desenhar carneirinhos mesmo. Tudo bem colorido, lúdico e lindo.

Em outra ala, um histórico minucioso da vida do autor de O Pequeno Príncipe e da trajetória do livro, além de telas que reproduziam as várias adaptações pra cinema, teatro e televisão que o livro já ganhou.

Também tinha um espaço onde um deserto era reproduzido, onde podíamos ver o avião caído no meio do nada. Também do nada surgiu um ator encarnando o Aviador e convidando todo mundo pra uma peça que contava aquela história toda que toda miss sabe de cor de salteado – eu que não sou miss sei e amo…

Tinha um lugarzinho cheio de estrelas penduradas no teto, onde podíamos deixar recados e desejos… Tinha uma lojinha com mil badulaques do Pequeno Príncipe – saímos de lá com um livro sobre Saint-Exupèry e uma camiseta do Petit.

Mas o que de mais surpreendente e lindo e mágico aconteceu foi o último andar da OCA.

Ao chegar lá, a gente simplesmente se deparou com o B-612! Vários planetas, estrelas, e no meio desse cenário todo um planetinha com vulcõezinhos e uma rosa vermelha incrível iluminando tudo.

Cara, quando vi o B-612 não sabia o que fazer. Não sabia se ria, se chorava, se fotografava. Até que vi umas crianças indo até lá, subindo no planeta! E perguntei candidamente aos organizadores se eu podia subir também. Eles sorriram e disseram que sim, claro.

E foi lindo.

E vivi tudo isso num momento bem triste e desanimado, com a auto-estima a zero. E essa foi só a manhã de um dia querido ao lado do meu querido. Dia que terminou no teatro, vendo As pontes de Madison – coisa que merece outro texto só pra si.

PS – As fotos do Pequeno Príncipe na OCA estão no AQUI, no Belém, Belém, claro. ;)

Rei

Por Luciana | 25/12/2009, 15h15

Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos.

Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: “Liga depois, estamos vendo o especial do Rei!” pra em seguida, desligar solenemente na sua cara, como todo ano acontece quando algum desavisado liga nesse dia.

Hoje à noite o Roberto Carlos vai entrar no palco mais uma vez entre gritos, aplausos e euforia, vai ficar esperando parado, sorrindo, até que toda a emoção se amenize um pouco e vai dizer: “É um prazer rever vocês”. E todo mundo vai gritar e aplaudir e ficar eufórico em dobro!

Já vi essa cena, ao vivo, em pleno Mineirinho e lhe digo: é das coisas mais incríveis que já vi. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Famílias, amigos, casais. Um mar de gente gritando junto que é um prazer revê-lo também. Nesse momento ninguém mais conversa com ninguém, ninguém mais olha pro lado – ele hipnotiza a gente. E quando a gente se dá conta está lá, alternando riso e choro, cantando junto com ele, mas baixinho, pra não atrapalhar.

E ele conversa no meio das músicas, fazendo você se sentir amigo mesmo, próximo. Apresenta a banda RC-7, e conta que o maestro é compadre dele. E quando canta Outra vez, naquela parte que diz que você foi “o maior dos enganos que eu pude fazer” ele emenda e confessa: “Mentira, da boca pra fora”. E o ginásio quase vem abaixo! Ou quando ele canta Nossa canção, antes fica mostrando no telão imagens de quando ele era jovem e a mulherada fica histérica gritando “Lindo!” e então ele canta: “Olhe aqui, preste atenção”, e se ouve um grande suspiro no ar emendado com todas as vozes juntas, a plenos pulmões: “Essa é a nossa canção”!

Aí, ele vai cantar Emoções, Detalhes, Como é grande o meu amor por você. Vai cantar um pouco de Jovem Guarda e talvez chamar o “meu amigo Erasmo Carlos”. Vai cantar Jesus Cristo, Nossa Senhora, O Terço. Vai cantar alguma música nova ou velha que ele tenha feito pra Maria Rita. E finalizar jogando rosas para o público.

Nisso, o leitor indagador vai perguntar: Mas por que você vai assistir ao especial do Rei se já sabe tudo o que vai acontecer, se já está tudo roteirizado na sua cabeça, se já viu ao vivo? Porque eu sou fã! Ora, ora!

Eu comecei a gostar do Roberto Carlos com uns 12, 13 anos, influência óbvia dos meus pais. Gostei de saber pelo meu pai que aquele cara chato que minha mãe adorava tinha feito uma música pra o Caetano quando ele estava exilado em Londres. Achei corajoso, bonito mesmo.

Daí comecei a reparar que sempre tem um comercial, uma novela, uma história com as músicas do Rei. Sempre tem um monte de outros artistas regravando músicas dele. E essas músicas sempre têm um pouco de mim, de você. Simples, clichês, encantadoras, passionais, meio bregas, como cada um de nós, abençoadamente, é.

Elas falam dos nossos desencontros, brigas, separações, derrotas. De saudade, amor, ciúme, fé, rebeldia. Servem pra lembrar, esquecer, amar, maldizer, conquistar, levar pra passear – de calhambeque pelas curvas da estrada de Santos.

Pra que eu vou falar que de uns tempos pra cá a produção do Roberto caiu demais? Pra que eu vou dizer que prefiro o Roberto da Jovem Guarda e da década de 70 – da época enfim, que eu nem era nascida? Tudo o que ele fez naquele tempo foi tão forte e tão bonito que sustenta até hoje a coroa dele.

Mesmo ele sendo cheio de manias, mesmo ele tendo aquele cabelo ridículo, mesmo ele vindo tão pouco a minha cidade. Pra mim o que importa é que ele gosta de azul que nem eu, pra mim ele é “uma brasa, mora?”, pra mim ele é o cara que sabe como ninguém cantar os meus amores, as minhas paixões. Os altos e baixos das minhas emoções.

Um vovô de suspensórios

Por Luciana | 04/11/2009, 13h34

Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:

- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios… Pra você ser um vovô de suspensórios.

- Hum…

- Aí, nossos netinhos vão nos visitar… E vão dizer “Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!”

- Hum…

- “Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!”

- …

- Hahahahahahahahahahahahaha!

- Tá vendo? Nem você acredita nisso!

- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos – assim como todo mundo – vão gostar muito mais de você do que de mim…

- Hehehehe!

- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!

- Hahahahahahahaha!

Kriptonita

Por Luciana | 27/07/2009, 17h18

No supermercado, eis que surge uma daquelas baratinhas miúdas, mas não menos nojenta. O menino e eu travamos o diálogo:

- Uma barata! 

- Mata logo!

- Hum…

- Que foi?! Mata! 

- Não… Ela deve ter família… Já pensou se algum gigante viesse e esmagasse eu e o André? 

(Chantagem emocional total. Ele descobriu que a minha kriptonita é ele e o André…)

E foi assim que mais uma daquelas baratinhas miúdas e nojentas continuou a viver lá no supermercado.

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