Vivendo e aprendendo
Por Luciana | 23/06/2009, 14h14
Semana passada foi a festa junina da escola onde eu trabalho.
Comilança, bandeirinhas, forró tocando alto, concurso de miss caipira, grupo folclórico da comunidade, quadrinhas dos alunos, bingo.
Por volta de umas oito e meia da noite, ainda tinha três quadrilhas mais o grupo folclórico para se apresentar quando os seguranças comunicam à diretora que duas gangues estavam infiltradas lá dentro e que ela deveria encerrar a festa pois daquele momento em diante eles não se responsabilizariam por nada nem por ninguém.
Foi assim que, a exemplo da Feira da Cultura do ano passado, a festa junina da escola foi encerrada por conta das gangues do entorno da escola, da qual os alunos nem fazem parte.
Foi frustrante ver a cara de decepção dos meus alunos, todos fantasiados, maquiados, animados para dançar quadrilha e terem que voltar pra casa por conta de gente que não estuda na escola deles.
No dia seguinte perguntei a uma das alunas – uma que jurou nunca mais participar de nada naquela escola – pra onde eles foram depois que tiveram que sair da festa. E ela: – Ah, professora, fomos pra porta de casa, colocamos o som na rua e dançamos do mesmo jeito!
Por puro prazer. Um prazer que eu achei que tinha sido roubado deles, mas que não deixaram escapar pelas mãos.
E é assim que professores aprendem com alunos. Eu aprendi.




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