Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Indignação

Vivendo e aprendendo

Por Luciana | 23/06/2009, 14h14

Semana passada foi a festa junina da escola onde eu trabalho.

Comilança, bandeirinhas, forró tocando alto, concurso de miss caipira, grupo folclórico da comunidade, quadrinhas dos alunos, bingo.

Por volta de umas oito e meia da noite, ainda tinha três quadrilhas mais o grupo folclórico para se apresentar quando os seguranças comunicam à diretora que duas gangues estavam infiltradas lá dentro e que ela deveria encerrar a festa pois daquele momento em diante eles não se responsabilizariam por nada nem por ninguém.

Foi assim que, a exemplo da Feira da Cultura do ano passado, a festa junina da escola foi encerrada por conta das gangues do entorno da escola, da qual os alunos nem fazem parte.

Foi frustrante ver a cara de decepção dos meus alunos, todos fantasiados, maquiados, animados para dançar quadrilha e terem que voltar pra casa por conta de gente que não estuda na escola deles.

No dia seguinte perguntei a uma das alunas – uma que jurou nunca mais participar de nada naquela escola – pra onde eles foram depois que tiveram que sair da festa. E ela: – Ah, professora, fomos pra porta de casa, colocamos o som na rua e dançamos do mesmo jeito!

Por puro prazer. Um prazer que eu achei que tinha sido roubado deles, mas que não deixaram escapar pelas mãos.

E é assim que professores aprendem com alunos. Eu aprendi.

Dos vendilhões do templo

Por Luciana | 19/06/2009, 15h15

Domingo passado fomos, André e eu, comprar um cartaz do Círio/2009 para ele levar pra mãe dele.

Um adendo curioso: a mãe dele deve ter uns quatro ou cinco cartazes do Círio e, ao invés de todo ano substituir um por outro, ela vai colando na parede um por um, construindo aos poucos um painel ciriano na casa deles!

Mas sim.

Compramos o cartaz na lojinha que fica dentro da Basílica Santuário de Nazaré, a um quarteirão da minha casa.

Estávamos lá sendo atendidos quando uma placa chamou a atenção do André: para utilizar o banheiro da Basílica Santuário cada pessoa tem que desembolsar cinquenta centavos.

Há tempos me questiono sobre a presença daquela loja – e mais os banheiros e uma lanchonete – ali dentro da igreja. Vou até lá pelo menos uma vez no ano, para comprar o cartaz e as camisetas do Círio, mas sempre me sinto desconfortável.

Eu sempre lembro dos vendilhões do templo e do quanto Jesus ficou puto com eles, sabe?

Lembro da Igreja Matriz de Ilhéus, que quando fui perguntar quanto custava um batizado lá, me deram um envelope branco e disseram que custava o que eu pudesse e/ou quisesse pagar.

Enquanto na Basílica de Nazaré um batizado – coletivo! – custava na mesma época 40 reais.

Como será nas outras igrejas? Será que são mais Igreja Matriz de Ilhéus ou mais Basílica Santuário de Nazaré?

Detalhes

Por Luciana | 10/06/2009, 10h30

Como você pronuncia Caim?

E amendoim?

Folhetim?

Boletim?

Capim? 

Essas palavras são oxítonas ou paroxítonas para você?

Se elas são oxítonas para você, por que raios fazer de conta que “ruim” é paroxítona?

Lembrei disso ainda agora, quando minha mãe comentou que, paradoxalmente, Roberto Carlos canta “até os erros do meu português ruim” sem erro (!), falando “ruim” de maneira oxítona.

No sábado passado, Bruno Mazzeo, no Altas Horas, também falou certinho a palavra “ruim”. É tão raro que nunca passa despercebido para mim. Fiquei mais fã dele.

Mas, fã por fã, hoje é dia de ir ver o Rei cantar com os erros e acertos do português ruIM dele, ao lado do rapaz que reina em meu coração – e que fala RUim só para me espetar!

PS – Até dia 15 e, já sabe, leitor: dia 12 de junho é dia de não-blogagem coletiva do dia dos namorados!

Sobre a Copa do Meio Ambiente

Por Luciana | 04/06/2009, 09h09

Há alguns meses, o Cássio me indagou a respeito da rivalidade Belém x Manaus.

 

Eu fui sincera em responder que devido ao fato dos meus pais serem paraenses e do meu irmão e eu sermos amazonenses, em nossa casa essa rixa nunca foi alimentada.

 

(Tanto que eu sou aquela amazonense/manauara que torce pelo Paysandu!)

 

No máximo, meu pai convidava os amigos amazonenses para virem a Belém na época do Círio.

 

Tudo bem, devo confessar que ele quis que minha mãe viesse para Belém grávida, para que eu nascesse aqui e fosse paraense como eles.

 

Só que minha mãe, pra variar, foi sábia e disse a ele que foi em Manaus que me fizeram e era justo que eu nascesse lá.

 

Eu acho boba essa briguinha porque no final das contas somos todos moradores da Amazônia, do Norte, do Brasil. E independentemente de ser em Belém ou em Manaus, não nos iludimos que nenhuma grande seleção venha pra cá.

 

Penso que ao invés de questionar o lobby dos manauaras, os belenenses deveriam questionar os governantes e a comissão formada para batalhar pela Copa 2014 na cidade.

 

É muito fácil a coordenadora da comissão ir à TV e dizer que a ficha não caiu e que ela não deve explicações, quem deve é a FIFA (!); que quem perde é o mundo por não conhecer Belém (!), e não a própria cidade.

 

Eu já disse que fico pasma?

 

Devíamos, em uma visão macro da coisa, questionar por que a Região Sul do país, composta de apenas três estados, teve duas capitais eleitas, enquanto a Região Norte, o pulmão do mundo (rá!), ficou só com uma. Copa do Meio Ambiente, sei…  

 

Concordo com o pensamento de que pra ficar de cabeça erguida, a prefeitura e o governo locais têm mais é que cumprir as metas prometidas, mesmo sem a Copa.

 

E rio muito até agora da nota conjunta que o prefeito e a governadora publicaram, falando que foi INJUSTIÇA o que fizeram com Belém.

 

Ora, assim como é INJUSTIÇA o que andam fazendo com a saúde e a educação da cidade e do estado, só pra ficar em dois tópicos dos mais graves, em minha singela opinião.

 

De minha parte, quero ter um furgão lindão até 2014 e visitar com a família cada uma das cidades que sediarão os jogos. Não precisamos entrar em todos os estádios, queremos apenas sentir aquele clima “voa, canarinho, voa” pelo Brasil afora.

 

Pra fechar, um momento Balão Roots: eu morava perto do Vivaldão, em Manaus, e lá assisti ao primeiro show da minha vida, da melhor banda infantil do meu mundo, Balão Mágico!

Não te parece óbvio?!

Por Luciana | 13/05/2009, 10h30

Na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, tem um café.

Depois de passar tempos perambulando pra lá e pra cá entre os livros, CDs e tudo mais, as pessoas queridas que me cercavam – Fefa, Trotta, André e Cláudia – e eu decidimos fazer uma parada no café antes de sair pra jantar.

Aí fui ao caixa. Imaginem um caixa e pessoas formando fila para os dois lado do balcão. Fiquei confusa, pensando em qual era a fila de fato e qual era a parte onde as pessoas estavam sendo servidas já.

Foi quando delicadamente perguntei ao rapaz magro, alto e bl que estava na suposta fila do lado esquerdo, se ele estava na fila. A resposta dele, me olhando de cima:

- Não te parece óbvio que estou na fila?

Eu normalmente daria uma resposta atravessada a ele e iniciaria um mini-barraco, mas fiquei tão, mas tão sem graça e sem ação que tudo o que fiz foi sair de lá sem comprar meu lanche.

Como o pessoal viu que eu tinha voltado de lá do balcão com as mãos abanando, contei o que tinha acontecido. Foi a deixa pra que a coisa virasse piada e tudo o que se dissesse entre nós fosse replicado com um: “Não te parece óbvio que…?!”.

O ponto alto foi quando estávamos na cantina C… que sabe! – um amor de cantina! – e o trio de cantores chegou a nossa mesa perguntando o que gostaríamos de ouvir.

Como me delegaram o direito de escolher o pedido, eu, mais uma vez, delicadamente – isso ninguém pode negar – falei para o senhor do violão:

- Bem, não sei se você sabe cantar essa, mas eu gostaria muito de ouvir Al di lá.

E ele:

- Bem, eu vou tentar…

E cantou toda a música bem ali do meu lado, me deixando vermelhinha de vergonha.

No fim, ele disse:

- Sabe os minutos que você tem de vida? Pois equivalem as tantas vezes que já cantei essa música.

Ora! Não parecia óbvio que ele sabia Al di lá de trás pra frente?!

Todo mundo ria, ria, tanto o cantor quanto a turma que estava comigo. E eu lá vermelha.

Pra salvar a situação fiz fotinhas dele e fotinhas com ele, e deixei claro que não quis subestimá-lo, que falei aquilo porque se ele não soubesse a música, eu pediria outra.

Enfim.

No final, ele ainda cantou uma música do Rob Car, afinal, era óbvio que ele sabia as canções do Rei!

PS – Pedi Al di lá porque é a música do filme Candelabro Italiano, que minha mãe e eu adoramos pelo fato da mocinha ser uma bibliotecária como a mamãe. ;) Falei mais sobre isso no Próximos Capítulos e estou postando aos poucos as fotinhas da viagem no Belém, Belém.

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