final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo.
rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília – morar em beagá – fazer um primeiro ano de mestrado exemplar – voltar a blogar com regularidade – fazer o blog da copa uma coisa bacana pra quem curte futebol como nós - ver o Brasil ser hexacampeão - fotografar beagá, escrever sobre beagá, tudo mais em beagá – dar adeus aos refrigerantes – ajudar as pessoas de alguma forma – abstrair mais – sentir saudade como de praxe – voltar a malhar e perder os malditos seis quilos que me assolam – ir mais ao cinema, ler mais e fazer mais todas aquelas coisas que nem deveriam fazer parte das promessas de fim de ano, mas do cotidiano – poupar (hahahahahaha!) – e…
que os textos desse Agridoce voltem a emocionar as pessoas.
hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
de toda mulher de trinta. . . trinta moleques que o tempo criou
e muito embora eu nao sinta
eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou
meus alunos leram Ana & Pedro e Capitães da areia – me formei em Jornalismo – voltei a Resende, Penedo, Mosqueiro, São Paulo, Beagá, Rio de Janeiro – escrevi um TCC sobre violência nas escolas que poderia ter sido bem melhor – fui reprovada no mestrado de Teoria Literária da UFMG – ampliamos o Dialética com mais pessoas queridas – coloquei aparelho nos dentes e não vou sorrir nunca mais – fui ao show de 50 anos de carreira do Rei Rob Car com a companhia ideal – conheci Ubatuba, Petrópolis, Parati, Campos do Jordão - tive dias de luluzinha com as amigas – passei a amar comida japonesa e comi mais temakis do que deveria – revi o belo parque do Ibirapuera – fui ao Museu do Futebol, à exposição do Vik Muniz no MASP, à exposição do Pequeno Príncipe na OCA -vi As pontes de Madison no teatro - li mais livros acadêmicos que livros por prazer (não que seja um desprazer a academia, vai) – vi A felicidade não se compra com o meu George Bailey particular – engordei seis malditos quilos - abandonei meus blogs (mas isso vai acabar!) - comemorei meus 30 anos (com carinha de 17 por conta do aparelho) - voltei a trabalhar como revisora em uma agência de publicidade - acompanhei o homem de todas as minhas vidas no primeiro Círio dele – passei no mestrado de Literatura Brasileira da PUC-MG - e…
FIQUEI NOIVA!
Afinal, o nome já dizia: dois mil e LOVE.

PS1 – Que o seu dois mil e LOVE tenha sido bem bom também, leitor. E que ano que ve m – que já é logo amanhã – eu escreva mais e você venha mais me ler.
PS2 – Post de amanhã: Como será dois mil e SEX?
Dia desses, o pai do noivo de todas as minhas vidas implicando com a mãe do noivo de todas as minhas vidas e eu lembrei das bobagens que meu pai dizia pra implicar com minha mãe.
Lembrei, por exemplo, do filho que ele dizia ter no interior de Manaus, o Manoel Pedro. Cara, minha mãe odiava esse papo de Manoel Pedro e dizia que se ele aparecesse mesmo um dia lá em casa, ela ia por meu pai e o filho dele na rua!
E meu pai falava, falava… Dizia que quando ele morresse, o Manoel Pedro ia vir reclamar os direitos dele. E minha mãe dizendo que não ia dar nada, NADA, pra ele! E meu pai ria, ria de azucrinar minha mãe.
Aí, quando meu pai morreu, no meio da tristeza toda, minha mãe deu um sorriso fraco e compartilhou aquela lembrança maluca que ela tinha acabado de ter das doces implicâncias do meu pai: – Já pensou se o Manoel Pedro aparece agora?
- Eu sempre vou achar que os casais que implicam e discutem e brigam são aqueles que ficam juntos pra sempre.
Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:
- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios… Pra você ser um vovô de suspensórios.
- Hum…
- Aí, nossos netinhos vão nos visitar… E vão dizer “Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!”
- Hum…
- “Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!”
- …
- Hahahahahahahahahahahahaha!
- Tá vendo? Nem você acredita nisso!
- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos – assim como todo mundo – vão gostar muito mais de você do que de mim…
- Hehehehe!
- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!
- Hahahahahahahaha!
No supermercado, eis que surge uma daquelas baratinhas miúdas, mas não menos nojenta. O menino e eu travamos o diálogo:
- Uma barata!
- Mata logo!
- Hum…
- Que foi?! Mata!
- Não… Ela deve ter família… Já pensou se algum gigante viesse e esmagasse eu e o André?
(Chantagem emocional total. Ele descobriu que a minha kriptonita é ele e o André…)
E foi assim que mais uma daquelas baratinhas miúdas e nojentas continuou a viver lá no supermercado.