<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Agridoce &#187; Futebol</title>
	<atom:link href="http://dialetica.org/agridoce/categoria/futebol/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://dialetica.org/agridoce</link>
	<description>porque eu sou um agridoce de menina...</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 Mar 2011 17:29:25 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Como será dois mil e SEX?</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/como-sera-dois-mil-e-sex/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/como-sera-dois-mil-e-sex/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 17:09:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Catarse]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Dia-a-dia]]></category>
		<category><![CDATA[Emoção]]></category>
		<category><![CDATA[Esperança]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Pirlimpimpim]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=1448</guid>
		<description><![CDATA[final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo. rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília &#8211; morar em beagá &#8211; fazer um primeiro ano de mestrado exemplar &#8211; voltar a blogar com regularidade &#8211; fazer o blog da copa uma coisa bacana pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo.</p>
<p>rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília &#8211; morar em beagá &#8211; fazer um primeiro ano de mestrado exemplar &#8211; voltar a blogar com regularidade &#8211; fazer o blog da copa uma coisa bacana pra quem curte futebol como nós - ver o Brasil ser hexacampeão - fotografar beagá, escrever sobre beagá, tudo mais em beagá &#8211; dar adeus aos refrigerantes &#8211; ajudar as pessoas de alguma forma &#8211; abstrair mais &#8211; sentir saudade como de praxe &#8211; voltar a malhar e perder os malditos seis quilos que me assolam &#8211; ir mais ao cinema, ler mais e fazer mais todas aquelas coisas que nem deveriam fazer parte das promessas de fim de ano, mas do cotidiano &#8211; poupar (hahahahahaha!) &#8211; e&#8230;</p>
<p>que os textos desse Agridoce voltem a emocionar as pessoas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/como-sera-dois-mil-e-sex/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre a Copa do Meio Ambiente</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/sobre-a-copa-do-meio-ambiente/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/sobre-a-copa-do-meio-ambiente/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 11:09:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Balão Roots]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gente]]></category>
		<category><![CDATA[Indignação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=1329</guid>
		<description><![CDATA[Há alguns meses, o Cássio me indagou a respeito da rivalidade Belém x Manaus.   Eu fui sincera em responder que devido ao fato dos meus pais serem paraenses e do meu irmão e eu sermos amazonenses, em nossa casa essa rixa nunca foi alimentada.   (Tanto que eu sou aquela amazonense/manauara que torce pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Há alguns meses, o <a href="http://www.dialetica.org/corrida">Cássio</a> me indagou a respeito da rivalidade Belém x Manaus.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Eu fui sincera em responder que devido ao fato dos meus pais serem paraenses e do meu irmão e eu sermos amazonenses, em nossa casa essa rixa nunca foi alimentada. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">(Tanto que eu sou aquela amazonense/manauara que torce pelo Paysandu!)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">No máximo, meu pai convidava os amigos amazonenses para virem a Belém na época do Círio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Tudo bem, devo confessar que ele quis que minha mãe viesse para Belém grávida, para que eu nascesse aqui e fosse paraense como eles.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Só que minha mãe, pra variar, foi sábia e disse a ele que foi em Manaus que me fizeram e era justo que eu nascesse lá. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Eu acho boba essa briguinha porque no final das contas somos todos moradores da Amazônia, do Norte, do Brasil. E independentemente de ser em Belém ou em Manaus, não nos iludimos que nenhuma grande seleção venha pra cá. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Penso que ao invés de questionar o lobby dos manauaras, os belenenses deveriam questionar os governantes e a comissão formada para batalhar pela Copa 2014 na cidade. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">É muito fácil a coordenadora da comissão ir à TV e dizer que a ficha não caiu e que ela não deve explicações, quem deve é a FIFA (!); que quem perde é o mundo por não conhecer Belém (!), e não a própria cidade. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Eu já disse que fico pasma?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Devíamos, em uma visão macro da coisa, questionar por que a Região Sul do país, composta de apenas três estados, teve duas capitais eleitas, enquanto a Região Norte, o pulmão do mundo (rá!), ficou só com uma. Copa do Meio Ambiente, sei&#8230; <span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Concordo com o pensamento de que pra ficar de cabeça erguida, a prefeitura e o governo locais têm mais é que cumprir as metas prometidas, mesmo sem a Copa. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">E rio muito até agora da nota conjunta que o prefeito e a governadora publicaram, falando que foi INJUSTIÇA o que fizeram com Belém. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Ora, assim como é INJUSTIÇA o que andam fazendo com a saúde e a educação da cidade e do estado, só pra ficar em dois tópicos dos mais graves, em minha singela opinião. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">De minha parte, quero ter um furgão lindão até 2014 e visitar com a família cada uma das cidades que sediarão os jogos. Não precisamos entrar em todos os estádios, queremos apenas sentir aquele clima “voa, canarinho, voa” pelo Brasil afora. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Pra fechar, um momento Balão Roots: <span class="entry-content">eu morava perto do Vivaldão, em Manaus, e lá assisti ao primeiro show da minha vida, da melhor banda infantil do meu mundo, Balão Mágico!</span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/sobre-a-copa-do-meio-ambiente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Clarice flamenguista</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/clarice-flamenguista/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/clarice-flamenguista/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 11:09:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gente]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=1323</guid>
		<description><![CDATA[Muitas bios do Twitter – imagino que do Orkut também – e algumas frases dos meus contatos de MSN reproduzem alguns “tesouros” de Clarice Lispector.   Minha amiga Lúcia Tupiassú &#8211; que de fato gosta e entende da autora e não apenas cita frases de efeito soltas – de vez em quando escreve algumas coisas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Muitas bios do Twitter – imagino que do Orkut também – e algumas frases dos meus contatos de MSN reproduzem alguns “tesouros” de Clarice Lispector. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Minha amiga Lúcia Tupiassú &#8211; que de fato gosta e entende da autora e não apenas cita frases de efeito soltas – de vez em quando escreve algumas coisas relacionadas à Clarice no Twitter com a tag #CL.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Pois bem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">Como sou chata-boba-feia, dia desses me aproveitei da tag da Lu e twittei um infame “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo” #CL. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">A Lu protestou meigamente com um “Poxa, Lu, coitada da Clarice”, mas, ora, a Clarice não podia ter time de futebol? Esse time não podia ser o Flamengo? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 8pt;font-family: Verdana">O Vinicius, por exemplo, era Botafogo, Lu. </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/clarice-flamenguista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Comemorando os gols</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/comemorando-os-gols/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/comemorando-os-gols/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 01:11:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=1255</guid>
		<description><![CDATA[Sabe aquelas pessoas que têm um time de futebol em cada cidade? Pois é. Eu sou Flamengo desde quando ouvi a descrição do meu pai sobre o que é o Flamengo entrar no Maracanã e a torcida explodir. Do quanto ele ficou arrepiado ao presenciar essa cena. Eu sou Botafogo porque a minha mãe é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana">Sabe aquelas pessoas que têm um time de futebol em cada cidade? Pois é.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"> Eu sou Flamengo desde quando ouvi a descrição do meu pai sobre o que é o Flamengo entrar no Maracanã e a torcida explodir. Do quanto ele ficou arrepiado ao presenciar essa cena. Eu sou Botafogo porque a minha mãe é e o poetinha também. Eu sou Fluminense só por causa do Chico Buarque Lindo. E, mais recentemente, sou Vasco porque minha família baiana é. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana">Sou Bahia porque adoro aquele hino do Bahia, cantado pelo Moraes Moreira, em ritmo de trio elétrico! Sou Atlético Mineiro porque li <strong>Ana &amp; Pedro</strong> e o Pedro disse que um gol do Galo é como um beijo de amor ou um picolé no verão. Sou Internacional porque há muito tempo li numa <strong>Capricho</strong> da vida uma crônica de dia dos pais, onde o autor se lembrava com saudade a primeira vez que foi ao Beira-Rio com o pai dele, ficando impossível não virar Colorado. Sou Palmeiras porque vi o meu pai triste assistindo o Verdão perder e sugeri que ele mudasse de time e ele disse que isso não se faz, então me aliei a ele – mesmo num momento de derrota.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"> Sou Paysandu – o time que está acima de qualquer um desses outros. Porque, pra variar, era o time do meu pai; porque ele é alvi-celeste e eu adoro azul; porque tem um hino engraçado; porque é o único time pelo qual meu irmão e eu torcemos juntos.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"> Um dia desses fiz uma proposta ao meu irmão: guardarmos dinheiro a partir do ano que vem pra assistirmos in loco a copa de 2010. Não importava onde. O que importava era que fôssemos juntos.</span><span style="font-family: Verdana"> Meu irmão começou a fazer mil contas, colocar mil empecilhos &#8211; racionalizando meu sonho. Pena.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"> Na Copa de 2002, comprei uma camisa azul pra mim e uma amarela pra ele, e combinamos de assistir aos jogos da seleção com aquelas camisas, sempre juntos, pra dar sorte.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"> Íamos muito bem, quando o meu irmão inventou de ir assistir ao Brasil x Inglaterra com uns amigos. Eu falei um monte, disse que se perdêssemos ia ser por causa dele, porque estava quebrando a corrente e tudo de mais dramático no mundo! Ele riu da minha cara e foi. Foi, pra voltar logo após o primeiro gol da Inglaterra, dizendo que não se perdoaria se a Seleção perdesse. Bem, todo mundo sabe o que aconteceu, né? De virada, que é melhor.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana"> O curioso é que não assistimos aos jogos pela mesma TV. Eu fico na minha e ele na dele. Só nos encontramos pra comemorar os gols.</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/comemorando-os-gols/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Relatos de viagem IV &#8211; Rio de Janeiro</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/relatos-de-viagem-iv-rio-de-janeiro/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/relatos-de-viagem-iv-rio-de-janeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 12:10:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[Consumismo]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gente]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Indignação]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=1205</guid>
		<description><![CDATA[Bom, o relato sobre os dias no Rio de Janeiro vai ser bem maior, afinal, passamos uma semana por lá. Vamos por tópicos que acho que dinamiza mais. 1 &#8211; Feira de São Cristovão: na verdade, o nome correto do lugar é Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Fomos até lá assim no sábado à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom, o relato sobre os dias no Rio de Janeiro vai ser bem maior, afinal, passamos uma semana por lá.</p>
<p>Vamos por tópicos que acho que dinamiza mais.</p>
<p><strong>1 &#8211; Feira de São Cristovão</strong>: na verdade, o nome correto do lugar é Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Fomos até lá assim no sábado à noite, queridamente acompanhados por Ugo e <a href="http://dialetica.org/luninha">Luna</a>.</p>
<p>Você entra por um real, janta bem com mais três pessoas por 30 reais, e encontra de tudo que se possa imaginar relacionado ao nordeste: forró, tapioca, cocada, chapéu de cangaceiro, rede, guaraná Jesus (sim, o cor-de-rosa), rendas, compotas, rapadura, etc.</p>
<p>Pena que as estátuas de Lampião e Maria Bonita estejam sem braço &#8211; mereciam ser melhor cuidadas&#8230;</p>
<p><strong>2 &#8211; Urca:</strong> ah, meu relato sobre o bairro mais tranquilo do Rio você pode ler no <a href="http://dialetica.org/proximoscapitulos/2009/03/18/do-dia-em-que-encontramos-a-jo-e-o-professor-na-urca">Próximos Capítulos</a>!</p>
<p><strong>3 &#8211; Ipanema/ Leblon</strong>: um dia liguei pra casa e minha mãe perguntou onde eu estava. Quando respondi que estava passeando no Leblon, ela disse: &#8211; Mas que chique. <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Como já fizemos Ipanema/Leblon a pé, resolvi colocá-los juntos aqui. É sempre aquela emoção quando passo pela Rua Vinicius de Moraes; aquela delícia quando tomamos Sorvete Itália (indico o que a Luna me indicou: tangerina e doce de leite com coco) ou comemos os bolinhos de camarão do Bracarense (ótima indicação desde sempre da <a href="http://verbeat.org/blogs/atmosfera">Viva</a>); aquelas compras felizes quando paramos na Livraria da Travessa (dessa vez, além de comprar livros e CDs, e namorar o DVDs, também tivemos um almoço ajantarado na livraria que é das mais charmosas).</p>
<p>Triste foi ir à Toca do Vinicius, perguntar pelo livro que ele fez em homenagem a Pablo Neruda e ouvir da atendente um: &#8211; Ah, aqui é mais música, menos livros.</p>
<p>Tudo bem, podia até ser menos livros, mas um lugar chamado &#8220;Toca do Vinicius&#8221;, administrado pelos familiares do Vinicius, na minha singela opinião tinha que ter TODOS os livros dele pra vender. Mas traquilo, a Livraria da Travessa tinha&#8230;</p>
<p>Foi em Ipanema também que resolvemos ir à praia, na esperança de que quando uma certa garota passasse o mundo inteirinho se enchesse de graça e ficasse mais lindo por causa do amor&#8230;</p>
<p><strong>4 &#8211; Confeitaria Colombo</strong>: um sonho de lugar. Da outra vez, não conseguimos mesa; dessa vez, quase ficamos no balcão.</p>
<p>Mas tivemos a feliz idéia de sentar sim e apreciar não só as delícias como também o atendimento impecável.</p>
<p>E foi lá que o André fez uma fotinha minha em que ele diz que estou a cara da mamãe &#8211; a cara da mamãe quando a mamãe tinha a minha idade agora, né, leitor?</p>
<p><strong>5 &#8211; Real Gabinete Português de Leitura</strong>: uma jóia de biblioteca perdida no centro da cidade. Um lugar onde eu adoraria trabalhar, morar&#8230; Um lugar que eu, se pudesse, levaria pra casa. Parecia a biblioteca que a Fera deu pra Bela, lembra? Dica da Viva, sempre.</p>
<p><strong>6 &#8211; Santa Teresa</strong>: pegamos o bondinho amarelo e charmoso, passamos por cima dos<strong> Arcos da Lapa</strong> e fomos ao bairros das casas mais &#8220;eu-moraria-agora-aqui&#8221; do Rio.</p>
<p>Depois de passear a pé, fazer fotinhas e comprar os postais de praxe, tivemos um almoço bem servido no Bar do Mineiro, com direito a doce de laranja com queijo de sobremesa, e voltamos pra casa de fresquinho mesmo&#8230;</p>
<p><strong>7 &#8211; Maracanã</strong>: sim, nós gostamos de futebol. E antes que você pense que eu gosto só pra agradar o André, não é verdade. Pode até ser que eu tenha começado a gostar pra agradar alguém &#8211; no caso, o meu pai &#8211; mas hoje eu gosto de futebol mesmo pra valer, daquele jeito irracional dos bons e velhos torcedores.</p>
<p>Por isso, quando começamos a planejar a viagem, falei logo com a Luna &#8211; outra apaixonada por futebol &#8211; e pedi que ela visse na tabela um dia pra gente ir ao Maracanã ver um jogo.</p>
<p>Calhou de ser um jogo do Fluminense, time pelo qual a Luna torce, e foi bem bacana ir ao estádio, que está bem bonito e agradável.</p>
<p>Empolgação não faltou, tanto que fomos devidamente &#8220;fantasiados&#8221; de pó de arroz. Pena que o Flu e o Madureira não saíram do 0&#215;0&#8230;</p>
<p><strong>8 &#8211; Saara</strong>: nas palavras sábias do André, o Saara é a 25 de março organizada. Como estávamos pertíssimo de lá, não nos furtamos das compras perdulárias mil, de milhares de paradas pra beber mate e aplacar o calor, e de, de meia em meia hora, o André cantar o &#8220;atravessamos o deserto do Saara&#8230;&#8221;.</p>
<p><strong>9 &#8211; Lagoa</strong>: <a href="http://pirao.wordpress.com">Marcos VP</a> marcou de almoçar com a gente na sexta e queria nos levar ao Bar Luiz &#8211; já tinhamos conhecido&#8230; Pensou então em nos levar ao Bar do Mineiro, em Santa Teresa &#8211; já tinhamos conhecido&#8230; Lembrou então da Feira de São Cristovão &#8211; e nós demos uma gargalhada e dissemos que já tinhamos conhecido.</p>
<p>Foi com alegria que quando ele falou na Lagoa topamos na hora, porque nunca paramos por lá, só passamos.</p>
<p>Ele nos levou ao Arab da Lagoa, no Parque dos Patins e foi tudo lindo: a tarde, a comida, o clima, a companhia, a conversa.</p>
<p>De lá, o Marcos ainda fez um city tour muito bacana e explicativo, que rendeu mais ainda por conta do engarrafamento de fim de tarde de sexta-feira.</p>
<p>***</p>
<p>No fim das contas, bateu uma vontadinha inesperada e absurda de ir morar no Rio, a despeito do medo que nossas mães sentem de lá (influenciadíssimas pela TV, diga-se).</p>
<p>PS1 &#8211; As fotinhas da nossa viagem ao Rio (e outras mais) estão no <a href="http://dialetica.org/belembelem">Belém, Belém</a>.</p>
<p>PS2 &#8211; O próximo relato é sobre Petrópolis, onde tudo é muito real. <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/relatos-de-viagem-iv-rio-de-janeiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Garrincha: do disparo da flecha fulniô à última garrafa</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/garrincha-do-disparo-da-flecha-fulnio-a-ultima-garrafa/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/garrincha-do-disparo-da-flecha-fulnio-a-ultima-garrafa/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 17:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gente]]></category>
		<category><![CDATA[Indignação]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=1184</guid>
		<description><![CDATA[“Até os mais ardentes torcedores do Flamengo também eram Garrincha de coração.” Ruy Castro O anjo das pernas tortas Vinicius de Moraes   A Flávio Porto A um passe de Didi, Garrincha avança Colado o couro aos pés, o olhar atento Dribla um, dribla dois, depois descansa Como a medir o lance do momento. Vem-lhe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 12pt;font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&#038;quot"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: right"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">“Até os mais ardentes torcedores do Flamengo também eram Garrincha de coração.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: right" align="right"><em><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">Ruy Castro</span></em></p>
<p style="text-align: center" align="center"><strong><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">O anjo das pernas tortas</span></strong></p>
<p style="text-align: right" align="right"><em><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">Vinicius de Moraes</span></em><em><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">A Flávio Porto</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><br />
A um passe de Didi, Garrincha avança<br />
Colado o couro aos pés, o olhar atento<br />
Dribla um, dribla dois, depois descansa<br />
Como a medir o lance do momento.</p>
<p>Vem-lhe o pressentimento; ele se lança<br />
Mais rápido que o próprio pensamento<br />
Dribla mais um, mais dois; a bola trança<br />
Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento!</p>
<p>Num só transporte a multidão contrita<br />
Em ato de morte se levanta e grita<br />
Seu uníssono canto de esperança.</p>
<p>Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Goooool!<br />
É pura imagem: um G que chuta um o<br />
Dentro da meta, um 1. É pura dança!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: right" align="right"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: left"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">        Ao escrever uma biografia, além de reconstruir detalhadamente a trajetória de determinada pessoa, também o espaço e tempo da história são minuciosamente levantados.  </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: left"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">Em <strong>Estrela Solitária</strong>: um brasileiro chamado Garrincha, o jornalista Ruy Castro aborda não só a vida do craque, mas também os aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais em que a vida de Garrincha estava inserida. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">Através do “personagem” Garrincha, vamos chegando ao entendimento da realidade da época em que ele viveu e percebendo, de acordo com Ricoeur – citado por João Carlos Correia –, que a intriga é o mediador entre o acontecimento e a história. Ruy Castro seleciona, dos antepassados indígenas de Garrincha até os agradecimentos às pessoas que lhe ajudaram a escrever o livro, os tópicos que fazem com que a narrativa progrida, cresça. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">Os bisavós de Garrincha eram índios fulniôs e para falar neles, Castro volta ainda mais no tempo e relata: “Os primeiros portugueses, ao chegarem por aqui em 1500, horrorizaram-se com aqueles bárbaros nus que praticavam alegremente todas as variantes sexuais previstas no catálogo (&#8230;) (E, quinze minutos depois, logo se juntaram aos bárbaros nessas variantes).”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Assim aconteceu com Garrincha, mas de maneira inversa. Enquanto Garrincha produzia gols e alegrias ao Botafogo – ou mesmo aos times de Pau Grande onde antes jogava – e à Seleção Brasileira, ele contava com uma espécie de salvo-conduto de todos: amigos, parentes, empregadores, colegas de trabalho, imprensa, a sociedade enfim. Dentro daquele conjunto de pessoas vivendo, por vontade própria, sob normas comuns, Garrincha podia dormir durante o expediente, ter quantas mulheres quisesse, beber o que a vontade dele mandasse, afinal, ética não era necessário para o que o rodeavam. Os dribles, passes e gols bastavam. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Na verdade, “para ele, a alegria do futebol não estava em fazer gols. Nem em vencer a partida. Nem mesmo em ganhar o bicho, que era o prêmio em dinheiro pela vitória. Gols, vitórias, bichos, tudo isso eram coisas mesquinhas da civilização. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">E a civilização não era o elemento de Garrincha. A graça estava em driblar, apenas driblar. Estava no futebol em estado selvagem e lúdico, que era como os índios jogariam, se soubessem.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Se a civilização não era o elemento de Garrincha, a sociedade mais cedo ou mais tarde cobraria isso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Quando, afinal, o joelho começou a roubar o futebol de Garrincha, e coincidiu de ele encontrar a mulher que mudaria – para o bem ou para o mal – a vida dele, a cantora Elza Soares, o jogo inverteu contra ele. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Ora, se Garrincha não era mais tão produtivo como antes dentro de campo, por que a sociedade deveria continuar fechando os olhos para a ignorância do jogador quanto ao que era moralmente certo ou errado? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Todos, como em um passe de mágica, começaram a devotar compaixão pela esposa de Garrincha, Nair, e as oito filhas que com ele tivera. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Exemplo contundente disso foi, em 1963, <em>O Globo</em> eleger Nair “a mãe do ano” – mãe do ano em que a paixão de Garrincha pela <em>crioula </em>Elza explodia. Até Dona Stela Marinho, esposa de Roberto Marinho, foi a Pau Grande levar um diploma e um cordão de ouro à mãe do ano, mesmo Nair sendo a personificação do desleixo – com a casa, com as filhas e com ela própria. Mas a “onda” era atacar Garrincha e Elza Soares – como se fosse o primeiro caso dele durante o matrimônio com Nair. Naquele momento, já não jogava o futebol incrível que sempre o absolveu pela vida afora&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>No início da vida no futebol profissional – no Botafogo – Garrincha teve um jornalista (botafoguense) que o seguia bem de perto: Sandro Moreyra. Foi a Sandro que Garrincha entregou a camisa da seleção usada por ele na final da Copa de 62 – a Copa que ele trouxe não para o Brasil, mas para Elza. Entregou pedindo que colocasse no altar da igreja de São Francisco de Paula, em Petrópolis, pois tinha feito uma promessa. O jornalista jurou que entregaria, mas guardou a camisa pelo resto da vida&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Sandro Moreyra tentou mudar o apelido de Garrincha para Gualicho, por achar que soava melhor. Ele achava Garrincha muito suave, afeminado até, visto que é nome de passarinho. Já Gualicho, era um famoso cavalo, corredor de torneios de turfe. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">Muitas matérias foram feitas a partir dos dribles e gols de Garrincha, mas quem estava levando a fama era um jogador que não existia, mas se chamava Galicho, fruto da tentativa aberta de interferência na realidade, da manipulação que o jornalismo é capaz de criar, justificando a afirmação de Emanoel Barreto de que “toda teia que se estabelece entre jornalismo e poder agrega não só interesses como preocupações mercadológicas, já que a notícia é um produto”. Preocupar-se com o nome do jogador como se fosse um nome de um produto a ser vendido pela mídia era exatamente o que acontecia naquele momento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Outra face determinante da relação de Garrincha com a imprensa tem a ver com as histórias inventadas e propagadas por Sandro Moreyra – mais uma vez – que davam conta de um verdadeiro folclore acerca do jogador. Histórias que seriam repetidas, deturpadas e que, ajudaram a criar “o mito de um gênio infantil, e quase debilóide, que não fazia justiça a Garrincha.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Até mesmo Garrincha passou a acreditar em sua “debilidade” inventada pela mídia, desenvolvendo a partir de 1968 “um hábito que se agravaria com o tempo – o de culpar exclusivamente os outros por suas agruras.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>O que a sociedade não sabia é que Garrincha sofria de uma doença chamada alcoolismo e que, ao invés de ataques, acusações e cobranças éticas, ele precisava de tratamento médico. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Ruy Castro não toma o caminho mais fácil e confortável, e faz questão de absolver a sociedade da culpa que acometeu a todos quando Garrincha morreu, afinal, ele também se dedicou bastante a autodestruição. Mas, de acordo com o painel traçado pelo livro, fica nítido o quanto a mídia poderia ter agido de forma diferente com o <em>anjo das pernas tortas</em>: assim como o biógrafo procurou fazer. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>Em um exercício amplo de imaginação, é de se pensar como a sociedade “conversaria” sobre ética com Garrincha nos dias atuais, se com a mesma moralidade rígida e, ainda assim, hipócrita – acusavam Elza de indispô-lo com o Botafogo por interesse no dinheiro dele, mesmo sabendo que era ela quem o sustentava com o dinheiro dos discos e shows que fazia –, ou se com perícia e foco na doença real do jogador – o alcoolismo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot"><span>        </span>A pressa do dia-a-dia da redação faz com que, muitas vezes, não nos aprofundemos nos casos sobre os quais escrevemos, ao contrário de um estudo biográfico onde a pressa é deixada de lado em prol do apuro e da minúcia. Contudo, a pressa não pode servir de desculpa para os jornalistas, já que os personagens com os quais ilustramos nossas histórias para o entendimento da realidade são, de fato, reais. Bem reais. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-family: &quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&#038;quot">PS &#8211; Como diria o <a href="http://www.verbeat.org/blogs/donizetti">Doni</a>, adoro quando textos que fazem para faculdade podem vir (e vem) pra cá. Esse foi pra Jornalismo Comparado. Não sei se era bem isso que o professor queria, mas taí&#8230; <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  </span></p>
<p></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/garrincha-do-disparo-da-flecha-fulnio-a-ultima-garrafa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desde 1910&#8230;</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/209/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/209/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 16:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Consumismo]]></category>
		<category><![CDATA[Emoção]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gente]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=209</guid>
		<description><![CDATA[Minha mãe torce pelo Botafogo. Mesmo não sendo fanática por futebol, mesmo não sendo do Rio de Janeiro. Ela é botafoguense. A razão, segundo ela mesma, é bem simples: a geração dela é feita de muitos botafoguenses porque era impossível ser jovem e não ser botafoguense no auge de Garrincha! Contei essa história uma vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha mãe torce pelo Botafogo. Mesmo não sendo fanática por futebol, mesmo não sendo do Rio de Janeiro. Ela é botafoguense.</p>
<p>A razão, segundo ela mesma, é bem simples: a geração dela é feita de muitos botafoguenses porque era impossível ser jovem e não ser botafoguense no auge de Garrincha!</p>
<p>Contei essa história uma vez pra Tina e ela disse que fazia muito sentido &#8211; ela também era botafoguense, mais ou menos da idade da minha mãe, carioca.</p>
<p>Pois bem.</p>
<p>Em janeiro fui a São Paulo e lá pelo terceiro dia que estava por lá, saí com o <a href="http://www.trottolices.blogspot.com">Trotta</a>. Nos encontramos no Conjunto Nacional, ficamos horas batendo papo na Livraria Cultura, até anoitecer e irmos jantar com o <a href="http://www.interney.net/blogs/marmota">André</a> e o <a href="http://www.bebediabo.zip.net">Lello</a>.</p>
<p>Eu conversava com o Trotta e vira e mexe ficava dispersa, meio aérea. Até que criei coragem e falei: - Cara, não consigo tirar os olhos da sua camisa! Ela tá me desconcentrando!</p>
<p>Hahahahahahahaha!</p>
<p>Ele estava com uma camisa preta, com a estampa do Garrincha com o uniforme do Botafogo. Linda demais.</p>
<p>O Trotta indicou que tinha comprado a camisa na <a href="http://www.bancadecamisetas.com.br">Banca de Camisetas</a>, etc. e tal. Deixei passar um tempinho e fui até lá ver se comprava a camisa igual a do Trotta &#8211; invejosinha eu.</p>
<p>Vale dizer que eu estava prestes a ir passar o carnaval em Santiago do Chile, onde o Brasil, graças a Garrincha (ou não?), foi bicampeão mundial. Ia ser lindo visitar o Estádio Nacional de Chile com aquela camiseta!</p>
<p>Ia.</p>
<p>Encomendei a camiseta, mas ela não chegou a tempo para a viagem. Só na volta eles me ligaram e pediram que eu fosse até lá apanhar a camiseta sem custo algum, como um pedido de desculpa &#8211; tive que gritar Brasil Bicampeão no Estádio vestida de vermelho mesmo&#8230;</p>
<p>Já perdi a conta de quantas pessoas me pararam para perguntar onde eu tinha comprado, quanto custava, etc., etc&#8230;.</p>
<p>Já perdi a conta também de quantas vezes li os poemas de Vinicius de Moraes, onde ele cita o Botafogo. Eu acho que eu sou meio Botafogo só por causa do Vinicius de Moraes&#8230; E da minha mãe&#8230; E da Tina&#8230; E do Garrincha&#8230;</p>
<p><em>&#8220;Mas me diga uma coisa, Mr. Buster<br />
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:<br />
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?<br />
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?<br />
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?&#8221;</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/209/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Segura que eu quero ver&#8230;</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/segura-que-eu-quero-ver/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/segura-que-eu-quero-ver/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Dec 2007 22:34:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=671</guid>
		<description><![CDATA[Pois é. Agora que o Corinthians foi rebaixado eu quero ver. Eu quero ver a cobertura televisiva da segunda divisão. Lembro como se fosse hoje de uma declaração das mais infelizes do futebol, proferidas pelo técnico Leão. Na ocasião, treinador do Santos, ele estava em Belém pra um confronto com o Paysandu e declarou que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é. Agora que o Corinthians foi rebaixado eu quero ver. Eu quero ver a cobertura televisiva da segunda divisão.<br />
Lembro como se fosse hoje de uma declaração das mais infelizes do futebol, proferidas pelo técnico Leão. Na ocasião, treinador do Santos, ele estava em Belém pra um confronto com o Paysandu e declarou que a cidade das mangueiras deveria ser tirada dos calendários do Brasileirão porque aqui faz muito calor e desgasta o jogador.<br />
Fico pasma só de lembrar. Os jogadores e treinadores daqui nunca pediram a cabeça dos times do sul porque lá faz frio demais e eles não estão acostumados&#8230; Se ainda fosse por um lance de altitude, ainda dizia, mas calor? Calor???<br />
Fora isso, para que o desejo de Leão se concretizasse e Belém saísse do circuito de jogos, o Paysandu também tinha que sair&#8230; E saiu.<br />
Saiu um pouco depois que a Copa dos Campeões acabou – afinal, um timinho do Norte do país ousou tirar o título das mãos do Cruzeiro e, o mais importante, uma vaga para a Libertadores. Um timinho que, não se preocupem, hoje está bem longe de causar medo – está no lugar de onde tomara que nunca saia para o bem do IBOPE da televisão nacional.<br />
Agora eu quero ver&#8230;<br />
Eu quero ver cobrirem os jogos do Corinthians na segunda divisão com a mesma paixão de sempre. A mesma paixão com a qual deslavadamente torceram pelo São Paulo contra o Inter, na Libertadores do ano passado. A paixão pelo dinheiro, afinal, as torcidas desses dois clubes são bem maiores que a do Colorado.<br />
Meu sonoro bem feito. Se fosse um jogo da seleção, ainda valeria a torcida. Mas narrador esportivo torcendo por um time como se a derrota dele fosse uma derrota nacional é o cúmulo da cretinice. Bem feito.<br />
E não, este não é um texto contra os corintianos, mas contra a mídia esportiva que torce deslavadamente para os times do eixo Rio-São Paulo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/segura-que-eu-quero-ver/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mudar de time não existe</title>
		<link>http://dialetica.org/agridoce/mudar-de-time-nao-existe/</link>
		<comments>http://dialetica.org/agridoce/mudar-de-time-nao-existe/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Nov 2006 19:06:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dialetica.org/agridoce/?p=626</guid>
		<description><![CDATA[“Meu Paysandu tem duas cores Azul e branco, meus amores Meu Paysandu tem as cores Do Papão da Curuzu” Então você nasce e seu pai lhe dá de presente um time de futebol. Então você cresce e até poderia mudar de time, mas você é tão apaixonada pelo seu pai que decide ficar mesmo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Meu Paysandu tem duas cores<br />
Azul e branco, meus amores<br />
Meu Paysandu tem as cores<br />
Do Papão da Curuzu”</em></p>
<p>Então você nasce e seu pai lhe dá de presente um time de futebol. Então você cresce e até poderia mudar de time, mas você é tão apaixonada pelo seu pai que decide ficar mesmo com o time dele, pra poder torcer e vibrar juntinho quando o time de vocês vencer.<br />
E na casa de vocês tem sempre alguma coisinha pra lembrar que vocês torcem por aquele time. Aquela flâmula azul, aquela bandeira que segundo a sua mãe mais parece um lençol, aquele bonezinho que era seu e depois foi do seu irmão, aquele cinzeiro com o escudo do time estampado, altamente kitsch, em uma casa onde ninguém fuma.<br />
Tem também aquela fita. Aquela fita verde, mas de músicas azuis. Azuis e brancas. Aquela fita pra lá de mal gravada, aquela fita pra lá de querida. Aquela fita que seu pai gravou e você e seu irmão sabem de cor. E os vizinhos também sabem de cor, porque escutam por tabela a cada vitória do seu time.<br />
E aí o seu time perde. E perde e perde e perde, ao ponto de ser mesmo humilhado como nunca antes. E além de perder e ser humilhado ainda é rebaixado. Pra terceira divisão. Aquele mesmo time que um dia calou La bomboñera agora vai jogar calado quase como um time de várzea.<br />
É quando sua mãe dá mais uma vez o inútil conselho: Muda de time! É quando os dirigentes são culpados, afinal, não pagam os jogadores há não sei quanto tempo e é por isso que eles não jogam direito, ora!<br />
Nesse momento você lembra de si mesma. Do ano inteiro que passou recebendo a metade – e às vezes nem isso – do dinheiro que lhe era devido. E mesmo assim, quinta-feira passada você fechou o conteúdo programático com os seus alunos. Porque eles não têm culpa se a Secretaria de Educação do Estado é uma completa bagunça e não lhe paga direito.<br />
E é por isso que você não perdoa essa corja de jogadores sem amor à camisa do seu time. E é por conta desse amor que você sofre ao ouvir os fogos que os torcedores adversários insistem em soltar – uma gente que não tem time pra se orgulhar e se orgulha das perdas do outro. Porque o outro, mesmo na Série C, ainda é e continuará sendo o maior time do Norte do Brasil.<br />
E é por isso – e pelo seu pai, pelo seu irmão, pelos seus amigos com quem de vez em quando você vai ao estádio – que você mesmo na derrota, mesmo com os olhos rasos de lágrimas – de tristeza, pode ter certeza dessa vez –, escuta a velha fita que é das coisas que você mais gosta no mundo.<br />
A velha fita que tem aquele hino engraçado e estúpido da listra branca e da listra azul; a velha fita que guarda coisas que nesse momento não fazem muito sentido, como “somos campeões autênticos” ou “nossos triunfos esplêndidos”; a velha fita das músicas do velho time do meu velho pai.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dialetica.org/agridoce/mudar-de-time-nao-existe/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

