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	<title>Agridoce &#187; Família</title>
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	<description>porque eu sou um agridoce de menina...</description>
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		<title>&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2011 17:29:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Oi. Eu parei no meio de um texto sobre a Lívia, mulher do Guma, de Mar morto, pra escrever pra você. Você sabe, né, que tô escrevendo um trabalho sobre umas personagens femininas do Jorge Amado? Eu de vez em quando falo com as pessoas que me cercam sobre esse trabalho e elas sorriem sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi.</p>
<p>Eu parei no meio de um texto sobre a Lívia, mulher do Guma, de <strong>Mar morto</strong>, pra escrever pra você.</p>
<p>Você sabe, né, que tô escrevendo um trabalho sobre umas personagens femininas do Jorge Amado?</p>
<p>Eu de vez em quando falo com as pessoas que me cercam sobre esse trabalho e elas sorriem sem entender.</p>
<p>Lembrei que você entenderia porque você leu esses livros todos que tô analisando. Você viajava pro meio do mato e levava os livros da nossa coleção.</p>
<p>Os mesmos livros, agora surrados, que tenho ao meu redor nesse momento. Eles estão todos rabiscados, cheios de anotações e de páginas viciadas. Desculpe, tudo culpa minha.</p>
<p>Eu podia agora te mandar meus textos pra ver o que você acha e a gente ia poder conversar. Eu acho que você já estaria aposentado e teria tempo.</p>
<p>No final, a Lívia vira mestre de saveiro, lembra?</p>
<p>Tá difícil aqui.  </p>
<p>Beijo,</p>
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		<title>Das bobagens mais ternas</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<description><![CDATA[A Suely Maria é a minha orientadora. A conheci por sugestão – mais que certeira – da Miriam – uma das moças mais delicadas que conheço na vida. A Miriam falou pra mim que a Suely era a professora que sabia TUDO de feminino e que seria uma boa conversar com ela sobre meu projeto. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Suely Maria é a minha orientadora. A conheci por sugestão – mais que certeira – da Miriam – uma das moças mais delicadas que conheço na vida.</p>
<p>A Miriam falou pra mim que a Suely era a professora que sabia TUDO de feminino e que seria uma boa conversar com ela sobre meu projeto.</p>
<p>Quando disse que a Miriam tinha dado a indicação e repeti o lance de saber TUDO de feminino, ela deu um sorriso mineiro e disse que então não precisava eu estudar mais nada de feminino já que ela já sabia de tudo sobre!</p>
<p>Ela é uma querida.</p>
<p>Disse que meu projeto sobre as figuras femininas amadianas a interessava e que aceitava me orientar. Só pediu que eu me inscrevesse na turma da aula de metalinguagem poética que ela ia ministrar, para que nos conhecêssemos melhor.</p>
<p>Pois bem.</p>
<p>Em Beagá, quando uma mulher é muito fina, educada, delicada, eles dizem que ela é uma dama. Posso dizer depois de dois, três meses que a Suely é definitiva e absolutamente uma dama. E fiquei muito fã dela nesse tempinho, apesar de saber que ela nunca vai ler esse texto, afinal, não entende nada, nadinha de mexer com Internet.</p>
<p>Bem, esse preâmbulo todo sobre a Suely é pra contar de um momento de agora a pouco.</p>
<p>Em uma das ultimas aulas que tivemos, analisamos uns poemas da Adélia Prado. Um chamado Clareira marcou em particular:</p>
<p><em>Seria tão bom, como já foi,<br />
As comadres se visitarem nos domingos.<br />
Os compadres fiquem na sala, cordiosos,<br />
Pitando e rapando a goela. Os meninos<br />
Farejando e mijando com os cachorros.<br />
Houve esta vida, ou inventei?<br />
Eu gosto de metafísica, só pra depois<br />
Pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz,<br />
Falar as falas certas: a de Lurdes casou,<br />
A das Dores se forma, a vaca fez, aconteceu,<br />
As santas missões vêm aí, vigiai e orai<br />
Que a vida é breve.<br />
Agora que o destino do mundo pende do meu palpite,<br />
Quero um casal de compadres, molécula de sanidade,<br />
Pra eu sobreviver.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>A Suely ilustrou bem a percepção que tinha do poema. Lembrou de quando o filho dela foi morar na França e uma vizinha sabiamente a aconselhou: quando escrever para ele – sim, ela escreve cartas até hoje pro filho – conte só bobagens.</p>
<p>Ora, como assim só bobagens? – ela indagou, intrigada.</p>
<p>Bobagens: quem casou, quem formou, quem fez, aconteceu&#8230; Conte só bobagens porque é disso que sentimos saudade quando estamos longe.</p>
<p>Ouvi essas palavras na sala de aula e meus olhos encheram. Era aquilo mesmo. Morro de saudade das bobagens que converso com minha mãe, à mesa da cozinha; deitadas juntas na cama; de frente pro rio, na praia; no carro, no rumo da venta.</p>
<p>Lembrei ainda agora do poema – e, por conseguinte, da Suely, aquela querida – porque estávamos, minha mãe e eu, comendo ludicamente o melhor caranguejo do mundo – o dela – na cozinha de casa, contando bobagens uma pra outra. Do meu curso, do trabalho dela, da minha casa, das minhas tias, do nosso cotidiano amorosamente entrecortado.</p>
<p>A clareira da Adélia inundou a cozinha aqui de casa e eu me vi com minha mãe sendo poesia.</p>
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		<title>Manaus &#8211; ir ou não ir</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 12:10:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A pauta frequente da minha mãe ultimamente tem sido ir a Manaus. Depois de 23 anos, minha mãe quer fazer uma viagem familiar a Manaus. Depois de desconversar de todas as formas e de sugerir milhares de outros destinos, tive que dar minha verdadeira opinião quando vi meu irmão topar a viagem numa boa, sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pauta frequente da minha mãe ultimamente tem sido ir a Manaus. Depois de 23 anos, minha mãe quer fazer uma viagem familiar a Manaus.</p>
<p>Depois de desconversar de todas as formas e de sugerir milhares de outros destinos, tive que dar minha verdadeira opinião quando vi meu irmão topar a viagem numa boa, sem maiores questionamentos.</p>
<p>Abri sinceramente que não quero ir.</p>
<p>Se a Eva ler isso aqui, vai ficar magoada. Fabrizio idem. Mas não quero ir.</p>
<p>Vamos sofrer.</p>
<p>Foi na mesa da cozinha de casa que falei calmamente: não quero ir a Manaus porque vamos sofrer.</p>
<p>Minha mãe e meu irmão se entreolharam e riram. Disseram que não vão sofrer coisa nenhuma, que vão de boa, mas ninguém me pega pra essa viagem.</p>
<p>Minha mãe quer passar uma semana, dez dias por lá. Quer rever pessoas e lugares que fazem parte do nosso passado – aquele passado em que fomos mais felizes – e consequentemente do passado do meu pai – aquele cara que não está mais com a gente.</p>
<p>Vamos sofrer.</p>
<p>Tenho uma amiga em Beagá, a Anita, que me disse dia desses que teve uma época em que a casa dela era tudo o que ela queria ter. Era ela, o marido, os três filhos, o cachorro. Eram felizes.</p>
<p>Hoje, não que não sejam felizes, mas a casa está vazia. Os filhos não moram mais lá, o cachorro está cego e doente e, por ela, se mudaria com o marido pra um kitnet e gastaria a grana da casa em viagens – sendo feliz como acha que deve ser agora, aos 50 anos.</p>
<p>Pois bem. Essa sensação de “tudo o que queria ter” minha mãe deixou em Manaus. Ela nunca vai admitir, mas é como vejo e sinto. E não será voltando lá que vamos reencontrar isso.</p>
<p>Acho que essa sensação só conseguimos de volta de relance, vendo fotos antigas.</p>
<p>Tem uma foto que adoro da minha mãe. Na nossa casinha branca, a primeira que eles compraram. Ela está deitada no chão da varanda, de olhos fechados, sorrindo, curtindo aquela casa que era tudo o que ela queria ter, se deixando fotografar pelo cara que ela gostava.</p>
<p>Postei essa foto um tempo desses no Facebook e a legenda é “plena”. É dessa minha mãe que quero lembrar em Manaus, não dela chorando, com o nariz vermelhinho na ponta, triste porque não somos mais quem éramos.</p>
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		<title>Típico casamento gaúcho</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 22:20:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fui a um casamento em Pelotas agora em janeiro. A história do casal é bacana e é assim: a moça dançava num CTG da cidade. CTG pra quem não é gaúcho e não sabe são os Centros de Tradição Gaúcha. Ela dançava num CTG de Pelotas, vestida com aqueles trajes típicos de prenda, como se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-1472" src="http://dialetica.org/agridoce/files/2010/02/DSC06154-225x300.jpg" alt="DSC06154" width="225" height="300" /></p>
<p>Fui a um casamento em Pelotas agora em janeiro.</p>
<p>A história do casal é bacana e é assim: a moça dançava num CTG da cidade. CTG pra quem não é gaúcho e não sabe são os Centros de Tradição Gaúcha.</p>
<p>Ela dançava num CTG de Pelotas, vestida com aqueles trajes típicos de prenda, como se tivesse saído de um daqueles tomos de O tempo e o vento, do Erico Veríssimo – o meu Veríssimo favorito.</p>
<p>Até que um belo dia o irmão do par da mocinha foi ver uma apresentação do grupo e se encantou pela parceira fraternal. Resultado: decidiu entrar pro CTG também, só pra se aproximar dela.</p>
<p>Se aproximou tanto que fui ao casamento deles. <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Bem, nunca tinha ido a Pelotas nem a qualquer casamento gaúcho. E é diferente sim.</p>
<p>Eles casaram da catedral da cidade que é uma igreja super bonita, cheia de vitrais maravilhosos.</p>
<p>Um dos pontos mais positivos da cerimônia foi o padre. Anote aí: pra cerimônia do seu casamento ser legal, é importante que o padre conheça um pouco você, seu noivo, a história de vocês. E esse padre tinha essa qualidade e fez da celebração algo bem reflexivo e alegre ao mesmo tempo.</p>
<p>Em seguida, fomos pra festa que foi num imenso galpão, repleto de mesas compriiiiidas, com bancos corriiiiiiiidos, música animada e um churrasco daqueles rolando. Ah, e tinha um pula-pula pra que as crianças ficassem bem esgadilhadas.</p>
<p>Depois do jantar, antes da valsa, o CTG apareceu todo paramentado e fez questão de fazer uma homenagem aos noivos. Como a banda que contrataram não apareceu, eles dançaram cantando a capela, numa das apresentações mais queridas que já vi. Era tudo emoção, sabe?</p>
<p>E é claro que depois os noivos dançaram junto com o grupo pra ficar tudo mais lindo ainda.</p>
<p>E é claro que eu não peguei o buquê da noiva.</p>
<p>E é claro que tocaram o legítimo tecnobrega paraense no meio da festa lá do outro lado do país e é claro que quem estava cantando era a Banda Dejavu famosa quem.</p>
<p>Um outro detalhe inesquecível da cerimônia foi que a noiva entrou na igreja de braço dado com o pai, ao som de uma música cantada ao vivo e a cores pelo próprio noivo!</p>
<p>E é claro que estou desde já pensando em que música vou cantar no meu casamento. Rá!</p>
<p>Uma das inúmeras pessoas que conheci e que me cumprimentou disse a grande verdade: só em velório e casamento pra reunir tanta gente querida.</p>
<p>Acima da cerimônia, do churrascão, da festa, do bolo delícia, a confraternização daquelas pessoas em torno do novo casal é que valeu cada quilômetro que tive que atravessar pra ir a esse casamento.</p>
<p>Ou você tá pensando que Pelotas é logo ali na esquina, leitor?</p>
<p>Depois eu que moro longe&#8230; <img src='http://dialetica.org/agridoce/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Quem sabe um dia eu não resolva me casar numa cerimônia-festa tipicamente gaúcha também?</p>
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		<title>Deu pra ti, baixo astral&#8230;*</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 12:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bem, quando você estiver lendo essas linhas, estarei em um carro vermelho, rumo a Florianópolis. Na verdade, Florianópolis será só a parada pra dormir. Meu destino é Porto Alegre, Gramado/Canela e Pelotas. Vou ali torcer pelo Inter, bater um papo com o Mário Quintana e o Erico Veríssimo, passear no Parcão, comer churrasco, galeto, café [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem, quando você estiver lendo essas linhas, estarei em um carro vermelho, rumo a Florianópolis.</p>
<p>Na verdade, Florianópolis será só a parada pra dormir. Meu destino é Porto Alegre, Gramado/Canela e Pelotas.</p>
<p>Vou ali torcer pelo Inter, bater um papo com o Mário Quintana e o Erico Veríssimo, passear no Parcão, comer churrasco, galeto, café colonial e chocolate, etc e tal.</p>
<p>Volto dia 20 e aí os textos voltam também, certo?</p>
<p>Beijo, leitor.</p>
<p>* Nem tô de baixo astral. Mas todo mundo que se preze e vá pra Porto Alegre tem que cantarolar de leve essa música, hein?</p>
<p>PS &#8211; Fotos, claro.</p>
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		<title>Como será dois mil e SEX?</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 17:09:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo. rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília &#8211; morar em beagá &#8211; fazer um primeiro ano de mestrado exemplar &#8211; voltar a blogar com regularidade &#8211; fazer o blog da copa uma coisa bacana pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo.</p>
<p>rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília &#8211; morar em beagá &#8211; fazer um primeiro ano de mestrado exemplar &#8211; voltar a blogar com regularidade &#8211; fazer o blog da copa uma coisa bacana pra quem curte futebol como nós - ver o Brasil ser hexacampeão - fotografar beagá, escrever sobre beagá, tudo mais em beagá &#8211; dar adeus aos refrigerantes &#8211; ajudar as pessoas de alguma forma &#8211; abstrair mais &#8211; sentir saudade como de praxe &#8211; voltar a malhar e perder os malditos seis quilos que me assolam &#8211; ir mais ao cinema, ler mais e fazer mais todas aquelas coisas que nem deveriam fazer parte das promessas de fim de ano, mas do cotidiano &#8211; poupar (hahahahahaha!) &#8211; e&#8230;</p>
<p>que os textos desse Agridoce voltem a emocionar as pessoas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Rei</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Dec 2009 17:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos. Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Tudo bem, eu adoro futebol. Tudo certo, o Pelé é gênio. Mas rei, leitor súdito, pra mim, é o Roberto Carlos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Por isso, hoje à noite, é bem provável que, se você ligar pra minha casa, qualquer um de nós que atenda, minha mãe, meu irmão ou eu, pegue o telefone e diga simplesmente isso: “Liga depois, estamos vendo o especial do Rei!” pra em seguida, desligar solenemente na sua cara, como todo ano acontece quando algum desavisado liga nesse dia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Hoje à noite o Roberto Carlos vai entrar no palco mais uma vez entre gritos, aplausos e euforia, vai ficar esperando parado, sorrindo, até que toda a emoção se amenize um pouco e vai dizer: “É um prazer rever vocês”. E todo mundo vai gritar e aplaudir e ficar eufórico em dobro!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Já vi essa cena, ao vivo, em pleno Mineirinho e lhe digo: é das coisas mais incríveis que já vi. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Famílias, amigos, casais. Um mar de gente gritando junto que é um prazer revê-lo também. Nesse momento ninguém mais conversa com ninguém, ninguém mais olha pro lado – ele hipnotiza a gente. E quando a gente se dá conta está lá, alternando riso e choro, cantando junto com ele, mas baixinho, pra não atrapalhar.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">E ele conversa no meio das músicas, fazendo você se sentir amigo mesmo, próximo. Apresenta a banda RC-7, e conta que o maestro é compadre dele. E quando canta Outra vez, naquela parte que diz que você foi “o maior dos enganos que eu pude fazer” ele emenda e confessa: “Mentira, da boca pra fora”. E o ginásio quase vem abaixo! Ou quando ele canta Nossa canção, antes fica mostrando no telão imagens de quando ele era jovem e a mulherada fica histérica gritando “Lindo!” e então ele canta: “Olhe aqui, preste atenção”, e se ouve um grande suspiro no ar emendado com todas as vozes juntas, a plenos pulmões: “Essa é a nossa canção”!<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333"> Aí, ele vai cantar Emoções, Detalhes, Como é grande o meu amor por você. Vai cantar um pouco de Jovem Guarda e talvez chamar o “meu amigo Erasmo Carlos”. Vai cantar Jesus Cristo, Nossa Senhora, O Terço. Vai cantar alguma música nova ou velha que ele tenha feito pra Maria Rita. E finalizar jogando rosas para o público.<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333"> Nisso, o leitor indagador vai perguntar: Mas por que você vai assistir ao especial do Rei se já sabe tudo o que vai acontecer, se já está tudo roteirizado na sua cabeça, se já viu ao vivo? Porque eu sou fã! Ora, ora!</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Eu comecei a gostar do Roberto Carlos com uns 12, 13 anos, influência óbvia dos meus pais. Gostei de saber pelo meu pai que aquele cara chato que minha mãe adorava tinha feito uma música pra o Caetano quando ele estava exilado em Londres. Achei corajoso, bonito mesmo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Daí comecei a reparar que sempre tem um comercial, uma novela, uma história com as músicas do Rei. Sempre tem um monte de outros artistas regravando músicas dele. E essas músicas sempre têm um pouco de mim, de você. Simples, clichês, encantadoras, passionais, meio bregas, como cada um de nós, abençoadamente, é.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Elas falam dos nossos desencontros, brigas, separações, derrotas. De saudade, amor, ciúme, fé, rebeldia. Servem pra lembrar, esquecer, amar, maldizer, conquistar, levar pra passear – de calhambeque pelas curvas da estrada de Santos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Pra que eu vou falar que de uns tempos pra cá a produção do Roberto caiu demais? Pra que eu vou dizer que prefiro o Roberto da Jovem Guarda e da década de 70 – da época enfim, que eu nem era nascida? Tudo o que ele fez naquele tempo foi tão forte e tão bonito que sustenta até hoje a coroa dele.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Mesmo ele sendo cheio de manias, mesmo ele tendo aquele cabelo ridículo, mesmo ele vindo tão pouco a minha cidade. Pra mim o que importa é que ele gosta de azul que nem eu, pra mim ele é “uma brasa, mora?”, pra mim ele é o cara que sabe como ninguém cantar os meus amores, as minhas paixões. Os altos e baixos das minhas emoções. </span></p>
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		<title>50 anos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 12:10:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[2029. 24 de dezembro. Um presépio no lugar da árvore; presentes embalados com carinho, por alguém que até lá já terá aprendido a fazer embrulhos e pacotes decentes; flores espalhadas pela sala; telefone tocando pra lá e pra cá com as pessoas mais queridas do outro lado. Minha mãe e sua mãe desconfiando muito que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">2029. 24 de dezembro. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Um presépio no lugar da árvore; presentes embalados com carinho, por alguém que até lá já terá aprendido a fazer embrulhos e pacotes decentes; flores espalhadas pela sala; telefone tocando pra lá e pra cá com as pessoas mais queridas do outro lado.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Minha mãe e sua mãe desconfiando muito que não darei conta de preparar a ceia a tempo, desajeitada sempre na cozinha. Mas eu darei. Darei conta porque será uma comidinha feita só pra pessoas que amo. E o que eu não der eu encomendo em alguma quituteira da vida, afinal ninguém é de ferro.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Música, risada, fotografia. De vez em quando eu vou parar um pouco, olhar ao redor, e ter certeza de que aquilo, aquele dia, não é só contente nem alegre &#8211; é feliz. Plenamente feliz. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">E depois do jantar uns dois meninos, rapazes, e uma menina, mocinha, meio parecidos comigo e com o homem de todas as minhas vidas, sairão pra ver os pares. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Vai ser quando ficaremos assistindo <em><span style="font-family: Verdana">A felicidade não se compra</span></em> pelo milésimo Natal, aninhados no sofá, mãos dadas, comendo um monte daquelas delícias natalinas! E vamos repetir nossos comentários do ano passado como se fossem novos: que George Bailey é o máximo, que Donna Reed está linda nesse filme; tentar obviamente imaginar como seria se não existíssemos, pra em seguida respirar aliviados por estarmos bem vivos e bem juntos. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">E ficar bem nostálgicos, lembrando dos natais da nossa infância e da infância dos dois meninos, rapazes e da menina, mocinha. De como descobri que o Papai Noel não existia; de nossas peripécias para que os dois meninos, rapazes e a menina, mocinha não descobrissem logo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">Também vou contar minha piada de Natal favorita e o homem de todas as minhas vidas vai morrer de rir não pela piada, porque afinal é super sem graça, mas pela minha cara de pau de ainda contar mais uma vez! E calar minha gaiatice com um beijo doce, com gosto de fruta de Natal.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">E mais uma vez eu vou pensar que mais que ouro, incenso e mirra, um lar é o melhor presente de Natal que se pode ter. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">PS &#8211; Piada de Natal: &#8220;O garotinho pergunta pro Papai Noel: &#8211; Papai Noel, o senhor rói unha? E o Papai Noel responde: Ho! Ho! Ho!&#8221; Leitor exigente, eu disse que era super sem graça! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;color: #333333">PS2 &#8211; Assista A felicidade não se compra! Todo ano, nessa época, eu assisto. </span></p>
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		<title>Manoel Pedro</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 19:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dia desses, o pai do noivo de todas as minhas vidas implicando com a mãe do noivo de todas as minhas vidas e eu lembrei das bobagens que meu pai dizia pra implicar com minha mãe. Lembrei, por exemplo, do filho que ele dizia ter no interior de Manaus, o Manoel Pedro. Cara, minha mãe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses, o pai do noivo de todas as minhas vidas implicando com a mãe do noivo de todas as minhas vidas e eu lembrei das bobagens que meu pai dizia pra implicar com minha mãe.</p>
<p>Lembrei, por exemplo, do filho que ele dizia ter no interior de Manaus, o Manoel Pedro. Cara, minha mãe odiava esse papo de Manoel Pedro e dizia que se ele aparecesse mesmo um dia lá em casa, ela ia por meu pai e o filho dele na rua!</p>
<p>E meu pai falava, falava&#8230; Dizia que quando ele morresse, o Manoel Pedro ia vir reclamar os direitos dele. E minha mãe dizendo que não ia dar nada, NADA, pra ele! E meu pai ria, ria de azucrinar minha mãe.</p>
<p>Aí, quando meu pai morreu, no meio da tristeza toda, minha mãe deu um sorriso fraco e compartilhou aquela lembrança maluca que ela tinha acabado de ter das doces implicâncias do meu pai: &#8211; Já pensou se o Manoel Pedro aparece agora?</p>
<p>- Eu sempre vou achar que os casais que implicam e discutem e brigam são aqueles que ficam juntos pra sempre.</p>
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		<title>Um vovô de suspensórios</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 15:34:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei: - Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios&#8230; Pra você ser um vovô de suspensórios. - Hum&#8230; - Aí, nossos netinhos vão nos visitar&#8230; E vão dizer &#8220;Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:</p>
<p>- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios&#8230; Pra você ser um vovô de suspensórios.</p>
<p>- Hum&#8230;</p>
<p>- Aí, nossos netinhos vão nos visitar&#8230; E vão dizer <em>&#8220;Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!&#8221;</em></p>
<p>- Hum&#8230;</p>
<p>- <em>&#8220;Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!&#8221; </em></p>
<p>- &#8230;</p>
<p>- Hahahahahahahahahahahahaha!</p>
<p>- Tá vendo? Nem você acredita nisso!</p>
<p>- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos &#8211; assim como todo mundo &#8211; vão gostar muito mais de você do que de mim&#8230;</p>
<p>- Hehehehe!</p>
<p>- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!</p>
<p>- Hahahahahahahaha!</p>
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