Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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Detalhes

Por Luciana | 10/06/2009, 10h30

Como você pronuncia Caim?

E amendoim?

Folhetim?

Boletim?

Capim? 

Essas palavras são oxítonas ou paroxítonas para você?

Se elas são oxítonas para você, por que raios fazer de conta que “ruim” é paroxítona?

Lembrei disso ainda agora, quando minha mãe comentou que, paradoxalmente, Roberto Carlos canta “até os erros do meu português ruim” sem erro (!), falando “ruim” de maneira oxítona.

No sábado passado, Bruno Mazzeo, no Altas Horas, também falou certinho a palavra “ruim”. É tão raro que nunca passa despercebido para mim. Fiquei mais fã dele.

Mas, fã por fã, hoje é dia de ir ver o Rei cantar com os erros e acertos do português ruIM dele, ao lado do rapaz que reina em meu coração – e que fala RUim só para me espetar!

PS – Até dia 15 e, já sabe, leitor: dia 12 de junho é dia de não-blogagem coletiva do dia dos namorados!

Mais uma pausa no TCC para mais uma constatação

Por Luciana | 08/06/2009, 11h11

Cara, é lindo constatar que por mais que eu enrole, empurre com a barriga, dê os maiores desdobros possíveis no meu TCC, toda vez que volto a escrevê-lo é empolgante!

O segredo é, pra variar, simples sem ser simplório: escolhi o tema certo. O tema que me interessa escrever não só como jornalista, mas como professora: violência nas escolas.

Ontem fiquei girando, girando, procurando epígrafes para o ínicio de capítulo, afinal, são esses pequenos detalhes que dão leveza ao texto acadêmico por vezes tão duro de ser decifrado.

Aí, lembrei de uma frase do Jorge Amado no prefácio do romance Cacau. Ele afirmava que tinha escrito o livro com “um mínimo de literatura para um máximo de honestidade”.

Eu já tinha me valido dessa frase no epílogo do meu primeiro TCC e me deixa feliz ver que, nove anos depois, ainda serve. Ainda sou eu.

PS – Meu primeiro TCC, assim como o de agora, não teve introdução nem conclusão; teve proposição e epílogo, que nem n’Os Lusíadas! Hahahahahahahaha! Minha primeira orientadora riu e disse que eu era/sou mesmo pretensiosa.

Da minha irmã

Por Luciana | 17/05/2009, 02h02

Eu sempre estudei de manhã. Meus pais saíam pra trabalhar e me deixavam na escola. Quando chegou a 1ª série a turma passou para o turno da tarde e meus pais conversaram com a dona da escola e decidiram que eu ia continuar indo de manhã, assistindo aula na turma de apoio.

A turma de apoio consistia na aula de reforço que a própria escola disponibilizava para os alunos que tivessem algum tipo de dificuldade. Funcionava assim: minha turma oficial tinha aula segunda de tarde e eu aprendia só na terça de manhã, com a tia do apoio.

Já se passaram 20 anos, exatos 20 anos, que essa história aconteceu e ela ainda me entristece porque meus pais simplesmente decidiram isso e não me contaram nada.

Imagine a cena: uma garota de seis anos chegando das férias, louca pra encontrar os amigos que tinham acabado de aprender a ler e a escrever com ela no ano anterior e que, sem mais nem menos, não encontra ninguém, absolutamente ninguém daquela turminha.

Quem me contou tudo foi a tia Júnia, dona da escola. E eu chorei tanto naquele dia, perguntando por um a um dos meus colegas.

Lá pelo meio do ano foi um aviso pra casa, dizendo que eu teria que ir em uma tarde, para tirar as fotos daquele semestre com a turma – a minha turma oficial. Aquela, eu posso afirmar, foi das tardes mais maravilhosas de toda a minha vida.

No dia seguinte, eu menti pros meus pais, dizendo que ainda tinha que tirar mais fotos, que tinha que voltar de tarde outra vez. E quando chegamos lá, e a tia Júnia disse que eu tinha inventado aquilo, eu expliquei que queria ficar brincando com eles, só mais uma vez. E assim foi, só mais uma vez.

A grande responsável por tanta saudade era uma garota que também se chamava Luciana. A Luciana Barros.
A Luciana Barros era uma garota viva, esperta, de olhos agateados, desinibida, alegre, extrovertida.

Daquelas pessoas pra quem parece que não existe tempo ruim. A Luciana Barros era a minha melhor amiga. Melhor: é minha melhor amiga da infância.

Nós dizíamos pra todo mundo que éramos irmãs e ninguém acreditava porque como podia duas irmãs com o mesmo nome?! E nós respondíamos: “Nossos pais gostam muito desse nome, ora!”.

Depois daquele dia das fotos, eu nunca mais vi a Luciana Barros. Nem por isso deixei de pensar nela por todos esses anos. Sempre que penso em Manaus, sempre que penso na escolinha, sempre que penso em amizade, ela está sempre lá, na primeira fila. No primeiro lugar da primeira fila.

Eu tenho poucas amigas e justamente por isso todas são bem especiais, cada uma ao seu modo. Mas eu tenho que dizer uma coisa: a Luciana Barros é a única amiga que eu chamei de irmã. A única amiga que eu tive e tenho até hoje bem guardado no peito o sentimento de irmã.

Analisando qualitativamente…

Por Luciana | 29/04/2009, 23h23

Tenho que fazer a análise qualitativa de seis matérias para o meu TCC e não tá rolando de jeito nenhum.

Sabe, é como quando a gente tem que arrancar primeiro um dente, pra depois vir o sorvete…

Pra que venha a parte bacana do meu TCC – o debate com meus alunos sobre violência nas escolas – tenho que passar por essa análise, além da leitura dos livrinhos do embasamento teórico.

Como amanhã vou viajar, fui ver minha orientadora hoje com as mãos abanando.

Eu disse que mesmo não escrevendo nada fui até lá porque disse a ela que não faltaria nunca aos encontros e que fui só beber na fonte.

Ela disse pra eu fazer logo e me livrar disso e ela está certa. O problema é a minha autocrítica. É ela que me faz escrever e deletar em questão de segundos, sem sequer mostrar pra orientadora.

Eu sou minha auto-orientadora-torturadora! AAAAAAAAAAAAAAA!

Minha professora falou o quanto isso tá errado, porque o que eu acho ruim pode estar ótimo pra ela, e ela é quem tem que me dar esse tipo de ORIENTAÇÃO – o próprio nome já diz…

Enfim.

Vou viajar levando todos os meus badulaques acadêmicos e ver se até quarta que vem analiso nem que seja uma das matérias – o ideal seria duas.

Mas no fim vai dar tudo muito certo porque eu quero muito isso. Por mim, pelos meus alunos.

Paulo Coelho e o Sítio do Pica-pau Amarelo

Por Luciana | 28/04/2009, 15h15

Todo ano passo um trabalho sobre Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-pau Amarelo para os meus alunos de 5ª série.

(Passo Ziraldo, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes também).

Aí, além dos trabalhos escritos e dos cartazes que exponho na sala, acabo fazendo algumas perguntas sobre a pesquisa literária na prova.

Então hoje de manhã, corrigindo e lançando as notas, surge a pérola: PAULO COELHO, O AUTOR DO SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO.

Meu coração de professora naquele momento deu uma parada e fez um minuto de silêncio no meu peito!

Como, eu pergunto como é que um menino faz toda uma pesquisa sobre um determinado assunto e sai com uma resposta dessas?

Pensei na hora em dar zero para ele sem nem terminar de corrigir a prova, mas não.

Farei melhor: vou comprar um “Caçadas de Pedrinho” e presentear meu aluno pra que ele nunca mais esqueça que entre Monteiro Lobato e Paulo Coelho vão léguas…

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