porque eu sou um agridoce de menina…

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05/11/09

Manoel Pedro

Dia desses, o pai do noivo de todas as minhas vidas implicando com a mãe do noivo de todas as minhas vidas e eu lembrei das bobagens que meu pai dizia pra implicar com minha mãe.

Lembrei, por exemplo, do filho que ele dizia ter no interior de Manaus, o Manoel Pedro. Cara, minha mãe odiava esse papo de Manoel Pedro e dizia que se ele aparecesse mesmo um dia lá em casa, ela ia por meu pai e o filho dele na rua!

E meu pai falava, falava… Dizia que quando ele morresse, o Manoel Pedro ia vir reclamar os direitos dele. E minha mãe dizendo que não ia dar nada, NADA, pra ele! E meu pai ria, ria de azucrinar minha mãe.

Aí, quando meu pai morreu, no meio da tristeza toda, minha mãe deu um sorriso fraco e compartilhou aquela lembrança maluca que ela tinha acabado de ter das doces implicâncias do meu pai: – Já pensou se o Manoel Pedro aparece agora?

- Eu sempre vou achar que os casais que implicam e discutem e brigam são aqueles que ficam juntos pra sempre.

Luciana

Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:

- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios… Pra você ser um vovô de suspensórios.

- Hum…

- Aí, nossos netinhos vão nos visitar… E vão dizer “Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!”

- Hum…

- “Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!”

- …

- Hahahahahahahahahahahahaha!

- Tá vendo? Nem você acredita nisso!

- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos – assim como todo mundo – vão gostar muito mais de você do que de mim…

- Hehehehe!

- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!

- Hahahahahahahaha!

Luciana
31/07/09

Valor-notícia

- Olha, li seus textos recentes no Agridoce e reparei uma coisa…

- Hum… O que?

- Nos últimos cinco posts você fala em mim. Fico até sem graça.

- Hum…

***

Mas o que eu posso fazer se ele é o meu assunto favorito?

Luciana
27/07/09

Kriptonita

No supermercado, eis que surge uma daquelas baratinhas miúdas, mas não menos nojenta. O menino e eu travamos o diálogo:

- Uma barata! 

- Mata logo!

- Hum…

- Que foi?! Mata! 

- Não… Ela deve ter família… Já pensou se algum gigante viesse e esmagasse eu e o André? 

(Chantagem emocional total. Ele descobriu que a minha kriptonita é ele e o André…)

E foi assim que mais uma daquelas baratinhas miúdas e nojentas continuou a viver lá no supermercado.

Luciana
02/06/09

Letrices

- A mulher do Jorge fez mestrado em Letras na mesma Universidade que você quer tentar.
- Puxa! Literatura?
- Não, não. Lingüística.
- Ah, mas Lingüística é para os fortes!

Luciana