Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Dia-a-dia

Não vou sorrir nunca mais

Por Luciana | 23/11/2009, 15h56

Ok. Agora uso aparelho nos dentes.

Passei o final de semana inteiro reclamando da vida por conta disso.

Não é uma dor de como se um elefante te esmagasse os dentes; é pior: é uma dor de como se formiguinhas de fogo te beliscassem o tempo todo.

Fora ficar parecendo o Willy Wonka criança; fora as piadinhas no trabalho; fora o incentivo de ouvir que daqui a dois anos seu sorriso será lindo.

DOIS ANOS.

E a vaidade onde vai em dois anos?

E tem TCC, tem prova na escola, tem prova na faculdade, tem mestrado. Mas o que martela é o aparelho só porque eu sou vaidosa.

E rio menos, falo menos…

E mais e mais repito que não vou sorrir nunca mais.

E não, não vou publicar foto minha de aparelho.

Pode esquecer.

Do incômodo

Por Luciana | 18/11/2009, 18h18

“Animal arisco
Domesticado esquece o risco”

 

Acomodada

Com meus empreguinhos de estimação

Meu dinheirinho de estimação

Naquela conta, no fim do mês, quarta estação

Morando com a mamãe sem pagar nada

Ou quase nada

Acomodada

Indo pra aula com as amiguinhas

Lanchando, conversando, ouvindo música com as amiguinhas

Batendo papo no msn

Aquele papo

Tuitando flashs da minha vida

Aquela vida

Nao era isso que eu sonhava aos cinco anos

Eu queria ser bombeira, astronauta, cabeleireira

Todas essas coisas de aventura

Nao era isso que eu sonhava aos dez anos

Eu queria ser jornalista, professora

Todas essas coisas que agora eu sou,

Mas nem é tão legal assim.

Acomodada

Sem fotografar, sem me achar a melhor mesmo

Sem escrever aqueles textos legais

Aqueles textos que te faziam chorar

Aqueles textos que ainda te fazem vir aqui me procurar

Aqueles textos ansiosos, sonhadores, inquietos

Incomodados.

Um mail pra dois

Por Luciana | 17/11/2009, 18h20

Queridos, saudade imensa.

Esse mail é só pra dizer que hoje meus alunos da oitava série fizeram um teste sobre Ana & Pedro. Sim, eu coloquei toda a turma pra ler a história daquelas cartas mais queridas.

Semana passada me crivaram de perguntas sobre o livro e foi bom falar em Ana, em Pedro. Eu até confessei que na época me apaixonei pelo Pedro, mas desisti só por causa da Ana. Eles riram que riram…

Falar na Ana e no Pedro é falar em velhos amigos. Ficamos fazendo as contas de quantos anos eles têm agora e dizendo que já devem ter se reencontrado pela internet, pelo google. :)

Estou me formando em Jornalismo agora no final do ano. E, como já sou formada em Letras, tentando o mestrado. Me inscrevi na UFMG, mas não passei. Agora vou tentar a PUC-MG.

Ronald, se eu for ao menos fazer as provas em Beagá, queria muito conhecer você.

Beijo apertado que nem abraço! ;)

Luciana.

***

Acabo de mandar esse mail pra o Ronald e pra Vivina, autores de Ana & Pedro. Ele resume bem o que se passa comigo agora: meus alunos leram Ana & Pedro, me formo em menos de um mês, não passei na UFMG e amarguei uma decepção muito grande comigo mesma por conta disso, e agora estou tentando outra vez que nem na música do Raul Seixas.

E se eu for a Beagá mês que vem, mesmo que eu nem passe, já será lindo.

Torce, leitor.

Um vovô de suspensórios

Por Luciana | 04/11/2009, 13h34

Olha, estávamos parados no sinal, quando um vovô de suspensórios cruzou a faixa. Aí eu falei:

- Quando você for velhinho, vou te dar uns suspensórios… Pra você ser um vovô de suspensórios.

- Hum…

- Aí, nossos netinhos vão nos visitar… E vão dizer “Ah, temos mesmo que visitar o vovô André?! Ele é muito chato!”

- Hum…

- “Tá bom. Só vamos porque a vovó Lu é super legal!”

- …

- Hahahahahahahahahahahahaha!

- Tá vendo? Nem você acredita nisso!

- Lógico! Eu sei que eu sou a chata e que você muito mais legal que eu e que nossos netinhos – assim como todo mundo – vão gostar muito mais de você do que de mim…

- Hehehehe!

- É, mas não me importo. Eles vão ter que me engolir que nem o Zagallo do mesmo jeito!

- Hahahahahahahaha!

nostalgia

Por Luciana | 27/09/2009, 20h16

oi, leitor, você ainda tá aí?

eu ainda estou aqui, acredite.

fiz trinta anos.

amarguei um inferno astral filho da mãe antes do meu aniversário. uma nostalgia imensa. você sabe, a nostalgia é a saudade que dói.

dias antes do aniversário, um aluno me deu um recorte de jornal, com uma crônica, dizendo que tinha lido e lembrado de mim.

e o texto era sobre… nostalgia.

era de um cara dizendo as mil coisas que causavam nostalgia nele.

eu quase morri de chorar ali mesmo, mas não chorei porque sou uma professora dura na queda, né?

o engraçado é que ele recortou o texto e tirou o nome do autor.

aí perguntei pro Google de quem era aquele texto e ele me respondeu que era do José Roberto Torero.

e agora eu meti na cabeça que tenho que dar um livro do Torero pra esse meu aluno, porque é tão raro eles se interessarem pela leitura, é tão rara essa troca… fora o fato do texto realmente ter tudo a ver comigo naquele momento.

aí fiz trinta anos e minha nostalgia passou.

e meu tcc estacou. o meu blog estacou.

se você soubesse a lista enorme de coisas que tenho pra escrever aqui. tenho tudo anotado em um caderno.

mas eu continuo aqui e espero que você continue aí.

a emoção desse blog que não é emo, é emotivo, continua aqui também.

um beijo.

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