Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

Arquivos: Dia-a-dia

Carta

Por Luciana | 02/07/2010, 19h50

Ei, Belém. Confesso que morri de saudade de ti. Das pessoas que eu amo e que pertencem ao teu cotidiano. Do meu cotidiano quando estou aqui. Do calor sem dó nem piedade. Do amor.

Eu sempre quis morar em Belo Horizonte, Belém, e nunca te escondi isso. Lá, as pessoas são umas queridas e só de escrever isso, começo a sentir saudade das coisas de lá também.

Eu já me conformei: minha sina será sempre sentir saudade.

Tirando a minha casa que é, sobretudo, um lar, nesses dez dias que estou contigo o lugar que mais me emocionou foi a ruazinha estreita da escola onde trabalho.

Depois de andar léguas de Lomas, cheguei ao finalzinho dela e a rua estava lá: toda cheia de bandeirinhas verdes e amarelas, toda cheia dos meus alunos já de férias empinando papagaio, toda cheia daquela escola que nos momentos de maior aprendizagem me faz uma falta danada.

Quando meus professores me ensinam algo incrível, algo que na correria do meu dia-a-dia eu nunca parei pra pensar, é lá pra aquela escola escondida no bairro do Marco que eu tenho vontade de correr. Porque é lá que estão as pessoas que precisam que eu diga algo incrível.

E apesar da minha mãe e dos meus amigos e dos jornais dizerem que andas perigosa demais, não consigo ter medo de ti.

Eu queria todas as pessoas que moram em ti; queria todos os sabores, cores e canções; queria até mesmo o calor…

Sim, Belém, morro de frio em Beagá. Mas lá eu compro flores toda semana pra minha casa porque cada uma custa um real.

E vou de ônibus comprar as flores, no Mercado Central. E olho num cataloguinho que tem em casa o horário que o ônibus vai passar no ponto da esquina e me encaminho pra lá. E ele não atrasa. E para no ponto certinho, não no meio da rua fazendo fila dupla. Para no ponto onde todos esperam na calçada, não no meio da rua.

E quando entro no ônibus, pago 2,30, mas vale. Porque o ônibus é novo, limpo, sem pichações, sem vandalismos, sem papeluchos e chicletes espalhados pelo chão. E pra encantar ainda mais, montaram um projeto chamado Leitura para todos que me flechou por inteiro: há poemas espalhados, pendurados nos ônibus de Belo Horizonte.

E eu te pergunto, Belém, por que raios não pode ser assim contigo também?

O que aconteceu que minha mãe fica morrendo de medo quando saio na rua pra passear contigo? Por que ela não sente esse pavor quando digo que vou sair em Belo Horizonte?

Lá não tem peixe, Belém. Não tem caranguejo, tacacá – meu reino por um tacacá quando faz oito graus por lá –, não tem bacuri.

Não tem essas músicas que a gente reclama, mas dança; não tem lenda, rio, fruta.

Mas tem uns ipês cor-de-rosa que me comovem um bocado; umas pessoas carinhosas que parecem que estão eternamente prestes a te por no colo; uma nostalgia nas canções.

Tem aquele clube, aquele ramalhete, aquela rua de curiosidade. Fora o jeito todo antigo e especial de falar…

Por que não dá pra juntar vocês duas, Belém, e sossegar o meu coração?

Do compromisso e do comprometimento

Por Luciana | 08/04/2010, 01h34

Dia desses, na aula de Teoria Literária, meu professor falou sobre compromisso e comprometimento.

Ele disse que compromisso é quando a gente cumpre nosso horário de trabalho, por exemplo. Já comprometimento, é quando, se precisar, ficamos no trabalho horas e horas a mais. Pela necessidade, pelo prazer.

Isso vale pra tudo na vida. Compromisso, comprometimento.

Segunda agora, voltando da Páscoa em Belém, meu voo atrasou mil horas em Brasília. Era dia da aula de Literatura Africana e cheguei no meio da tarde em casa, ou seja, já tinha perdido metade da aula, do meu compromisso.

Tudo o que eu queria era tomar banho, comer, dormir, relaxar.

Mas as palavras do professor martelaram demais na minha cabeça. E o meu comprometimento fez com que eu deixasse as malas na sala de casa e fosse pra aula.

E foi lindo.

Como será dois mil e SEX?

Por Luciana | 01/01/2010, 15h09

final do ano vamos ver se consegui fazer tudo o que planejo.

rever porto alegre, gramado, rio, são paulo, salvador, ilhéus, ouro preto - conhecer florianópolis, pelotas, brasília – morar em beagá – fazer um primeiro ano de mestrado exemplar – voltar a blogar com regularidade – fazer o blog da copa uma coisa bacana pra quem curte futebol como nós - ver o Brasil ser hexacampeão - fotografar beagá, escrever sobre beagá, tudo mais em beagá – dar adeus aos refrigerantes – ajudar as pessoas de alguma forma – abstrair mais – sentir saudade como de praxe – voltar a malhar e perder os malditos seis quilos que me assolam – ir mais ao cinema, ler mais e fazer mais todas aquelas coisas que nem deveriam fazer parte das promessas de fim de ano, mas do cotidiano – poupar (hahahahahaha!) – e…

que os textos desse Agridoce voltem a emocionar as pessoas.

Dois mil e love foi assim…

Por Luciana | 31/12/2009, 16h49

hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
de toda mulher de trinta. . . trinta moleques que o tempo criou
e muito embora eu nao sinta
eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou

meus alunos leram Ana & Pedro e Capitães da areia – me formei em Jornalismo – voltei a Resende, Penedo, Mosqueiro, São Paulo, Beagá, Rio de Janeiro – escrevi um TCC sobre violência nas escolas que poderia ter sido bem melhor – fui reprovada no mestrado de Teoria Literária da UFMG – ampliamos o Dialética com mais pessoas queridas – coloquei aparelho nos dentes e não vou sorrir nunca mais – fui ao show de 50 anos de carreira do Rei Rob Car com a companhia ideal – conheci Ubatuba, Petrópolis, Parati, Campos do Jordão - tive dias de luluzinha com as amigas – passei a amar comida japonesa e comi mais temakis do que deveria – revi o belo parque do Ibirapuera – fui ao Museu do Futebol, à exposição do Vik Muniz no MASP, à exposição do Pequeno Príncipe na OCA -vi As pontes de Madison no teatro - li mais livros acadêmicos que livros por prazer (não que seja um desprazer a academia, vai) – vi A felicidade não se compra com o meu George Bailey particular – engordei seis malditos quilos - abandonei meus blogs (mas isso vai acabar!) - comemorei meus 30 anos (com carinha de 17 por conta do aparelho) - voltei a trabalhar como revisora em uma agência de publicidade - acompanhei o homem de todas as minhas vidas no primeiro Círio dele – passei no mestrado de Literatura Brasileira da PUC-MG - e…

FIQUEI NOIVA! :)

Afinal, o nome já dizia: dois mil e LOVE.

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PS1 – Que o seu dois mil e LOVE tenha sido bem bom também, leitor. E que ano que ve m – que  já é logo amanhã – eu escreva mais e você venha mais me ler. ;)

PS2 – Post de amanhã: Como será dois mil e SEX?

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