Ao bem-amado
Olha, já faz um tempo que venho pensando em escrever sobre casamento.
Aí, quando foi anteontem, a Eva me enviou um mail sobre um casamento de dois jovens que namoravam desde a adolescência.
Ela tinha câncer em estágio terminal, contudo fez questão de tratar dos mínimos detalhes do casamento.
Eu poderia terminar meu relato dizendo que, infelizmente, ela faleceu cinco dias após à cerimônia, mas não o farei.
Não, porque o que ando pensando muito sobre casamento tem justamente a ver com isso: tempo.
São muitas – quase todas as que conheço! – as pessoas que perguntam quando vou me casar. Eu sempre respondo que ainda falta – a resposta mais subjetiva do mundo, eu sei.
A verdade é que entendi que dizer que quero logo me casar é veladamente dizer que quero logo ver o homem que eu amo todos os dias, afinal, ao casar, não vou mais viver longe fisicamente dele.
Tirando isso, minha felicidade já vem de quatro anos, quando eu o conheci. Ou seja: se eu morresse cinco dias depois do meu casamento, ainda assim, teria encontrado aquela pessoa que muitos levam vidas e vidas sem encontrar – a moça das fotos que a Eva me mandou, com absoluta certeza, também encontrou aquela pessoa.
E, então, só posso mesmo concordar com Vinicius de Moraes e reafirmar que “tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada – para viver um grande amor”.
Mais importante que o tempo que você passe com o seu bem-amado é que você o encontre para viver um grande amor.
O grande amor.
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