Relatos de viagem I – Ubatuba
Chegamos a Ubatuba à noitinha e, depois de zanzar perdidos pra lá e pra cá, finalmente achamos a acolhedora pousadinha Ubatuba do Alto – recomendadíssima (o café da manhã é bem saboroso, com frutas, pão caseiro, bolo feito na hora; sem contar o monte de passarinhos multicoloridos cantando ao seu redor de manhã bem cedo!).
Encantados com o visual – a pousada fica incrustada em um morro com vista para a orla marítima – demoramos um tempo para ver que não estávamos sozinhos no chalé…
Foi quando deitei na cama e dei de cara com ele na cabeceira da cama. Ele: o sapo!
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
O André veio com um papo de que estávamos em um ambiente rústico e que, em um ambiente rústico, aquilo era natural, e tentou me convencer de que poderíamos conviver pacificamente com aquele sapo ENORME! Mas não colou: era o sapo ou eu.
Foi quando ele começou a caçada ao sapo. Como não estava mesmo querendo tirar o sapo de lá, o máximo que conseguiu foi fazê-lo pular da cabeceira da cama para o banheiro!
Pronto! Não poderia fazer xixi, tomar banho, escovar os dentes, nada! Era pro sapo ir para fora, não para o banheiro!
E o André louvando o rústico e eu com saudade do bom e velho ar-condicionado… (ainda bem que em Resende ficaríamos no velho e bom e lindo e confortável River Park!).
Nesse ponto, o André entrou no banheiro e se trancou lá com o sapo.
Uma eternidade depois, ele sai de lá, triunfante, com o sapo! Um lance “meu herói”, manja? Lindo demais!
E é claro que ele não matou o sapo, afinal, ele é a favor do rústico! Ele aprisionou o sapo em um saco plástico e o soltou no mato, fora do chalé, devolvendo-o assim ao habitat natural dele.
Depois veio com um papo de que o sapo seria pego por predadores, mas eu resisti ao remorso mesmo assim.
O mais fofo de tudo foi ele contando como foi que fez para capturar o sapo.
Ele disse que conversou com ele. Oun! Disse que explicou ao sapo que por ele, André, não tinha problema nenhum dele, sapo, ficar lá. Mas que a namorada dele, eu, tinha medo e, sabe como é, ele teria que tirá-lo de lá, mas que não faria mal nenhum.
O sapo o compreendeu e confiou nele, aceitando pular no saquinho plástico que o removeria para o lado de fora do chalé.
O jeito dele contar o diálogo que teve com o sapo faz com que a gente por um minuto acredite que realmente aconteceu. Tanto que cheguei até a perguntar qual era o nome do sapinho. E ele, sem pestanejar, respondeu: Agapito!
Achei muito curiosa a prontidão com a qual ele respondeu o nome do sapo e só me convenci que era tudo fantasia quando depois descobri que Agapito era um sapinho do antigo Bambalalão – coincidentemente, programa infantil favorito do André…
PS – Em Ubatuba, ainda vimos uma queima de fogos de uma vista pra lá de privilegiada. Aconteceu que um navio passou o dia na cidade e à noite, na despedida, teve fogos de artifício. A dona da pousada disse que, na verdade, era pela nossa chegada e nós, alegremente, decidimos acreditar…
PS2 – No dia seguinte fomos ao Projeto Tamar, por motivos pra lá de sentimentais: quando o André fez 30 anos, adotei uma tartaruga marinha de lá e dei de presente a ele. Tudo por causa de uma metáfora que ele usava bastante quando nos conhecemos: a de que eu era uma águia e ele, uma tartaruga, e que apesar da essência dele de tartaruga de ter os pés no chão, ele voava quando a águia vinha buscá-lo… Ai, ai.
PS3 – Próxima parada: Paraty!
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