Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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As pontes de Madison no teatro

Por Luciana | 08/01/2010, 18h34

A primeira vez que vi o filme As pontes de Madison foi em 1996, ainda numa fita de vídeo, com a mamãe. Será que preciso escrever aqui que choramos loucamente como se estivéssemos ao lado do Robert naquela chuva?

Aí, já não me lembro mais o ano, um belo dia me deparo com o livro que inspirou o filme e claro o comprei e dei de presente para a mamãe.

Até hoje quando revejo o filme sinto falta de algumas falas, como se tivessem cortado partes, mas não: essa lacuna que eu sinto se deve aos diálogos e situações extras que o livro proporciona.

Depois da minha mãe ter emprestado o livro pra cento e duzentas amigas, dei o livro pro André. Até hoje minha mãe não sabe que o livro que ela já revirou toda a casa a procura, está com o André… E que ele nem leu!

Dei o livro a ele por um motivo muito simples: essa certeza só temos uma vez na vida. ;)

Já procurei a trama escrita por Robert James Waller diversas vezes pra comprar outro livro pra mamãe, mas não acho. A última edição esgotou faz tempo.

Como vi que o André não vai ler o livro nunca, o presenteei também com o DVD d’As pontes de Madison.

Vimos o filme juntos há quase três anos, no dia 19 de janeiro de 2007 – essa data eu lembro porque é o aniversário do pai do André.

Nesse dia, após cantarmos os parabéns para o pai dele, nos enroscamos no sofá da casa dele e ficamos vendo o filme. Naquela época, ele ainda não sabia que eu era a mulher da vida dele… Mas eu já sabia, afinal, esse tipo de certeza…

Até que no finzinho do ano passado ele me levou pra ver a peça d’As pontes de Madison, no Teatro Renaissance, em São Paulo, sendo um dos poucos homens presentes no recinto lotado na maioria por mulheres de meia-idade – por que será?…

Com um elenco enxuto – Marcos Caruso, Jussara Freire, Luciene Adami e Paulo Coronato – e um cenário muito agradável, As pontes de Madison do teatro me agradou muito.

A forma com que contam a história no teatro lembra um pouco Véu de Noiva, de Nelson Rodrigues. Aquela coisa de misturar o tempo, o espaço e as personagens, manja?

Mais divertida e leve que o filme, menos erótica e dramática também, ver essa peça foi como reencontrar dois velhos amigos e ver que eles ainda continuam lá, se amando apaixonadamente dentro daqueles quatro dias mágicos do Condado de Madison.

E assim como quando vejo Kramer vs. Kramer e torço toda vez pra guarda do filho ser dada a ele, sempre que eu vir As pontes de Madison vou torcer pra ela ir embora com ele no meio daquela chuva.

Como torci no teatro, em novembro.

Pequeno Príncipe na OCA

Por Luciana | 06/01/2010, 15h15

Olha, infelizmente já acabou, mas foi lindo: O Pequeno Príncipe na OCA.

Fui à exposição no feriado de Finados e posso dizer que ela me tirou de um baixo-astral filho da mãe – sem contar a companhia…

Pra começar, inúmeros ambientes contando a história do livro com retroprojetores a iluminar por todos os cantos da OCA os desenhos queridos de Saint-Exupèry.

Destaque absoluto pra a caixinha do carneiro. Explico: um dos ambientes tinha três janelinhas redondas, fazendo com que nos sentíssemos dentro da caixinha com um carneiro dentro, desenhada pelo Aviador. Lá, um monte de giz de cera à disposição para que desenhássemos nas paredes! Muitos deixaram seus nomes, outros se arriscaram a desenhar carneirinhos mesmo. Tudo bem colorido, lúdico e lindo.

Em outra ala, um histórico minucioso da vida do autor de O Pequeno Príncipe e da trajetória do livro, além de telas que reproduziam as várias adaptações pra cinema, teatro e televisão que o livro já ganhou.

Também tinha um espaço onde um deserto era reproduzido, onde podíamos ver o avião caído no meio do nada. Também do nada surgiu um ator encarnando o Aviador e convidando todo mundo pra uma peça que contava aquela história toda que toda miss sabe de cor de salteado – eu que não sou miss sei e amo…

Tinha um lugarzinho cheio de estrelas penduradas no teto, onde podíamos deixar recados e desejos… Tinha uma lojinha com mil badulaques do Pequeno Príncipe – saímos de lá com um livro sobre Saint-Exupèry e uma camiseta do Petit.

Mas o que de mais surpreendente e lindo e mágico aconteceu foi o último andar da OCA.

Ao chegar lá, a gente simplesmente se deparou com o B-612! Vários planetas, estrelas, e no meio desse cenário todo um planetinha com vulcõezinhos e uma rosa vermelha incrível iluminando tudo.

Cara, quando vi o B-612 não sabia o que fazer. Não sabia se ria, se chorava, se fotografava. Até que vi umas crianças indo até lá, subindo no planeta! E perguntei candidamente aos organizadores se eu podia subir também. Eles sorriram e disseram que sim, claro.

E foi lindo.

E vivi tudo isso num momento bem triste e desanimado, com a auto-estima a zero. E essa foi só a manhã de um dia querido ao lado do meu querido. Dia que terminou no teatro, vendo As pontes de Madison – coisa que merece outro texto só pra si.

PS – As fotos do Pequeno Príncipe na OCA estão no AQUI, no Belém, Belém, claro. ;)

Dos museus

Por Luciana | 21/05/2009, 21h21

Já faz tempo que planejo um texto sobre museus. Museus que conheço, museus que ainda quero conhecer, museus que poderiam ser criados, exposições específicas.

O primeiro museu que conheci foi o querido Museu Emílio Goeldi. Num primeiro momento você pode achar que se trata de um parque zoobotânico, mas o Goeldi é muito mais. É um museu da flora e da fauna amazônica bem no coração de Belém.

Os museus que menos me emocionam são os do naipe do Museu do Ipiranga, de São Paulo e do Museu Imperial, de Petrópolis.

Não curto muito leques, roupas, carruagens, vasos, etc. O que mais me cativou no Museu do Ipiranga foram as esferas com águas dos rios desbravados pelos bandeirantes; já no Museu Imperial, me chamou atenção o eco da forma brutal como a família de D. Pedro II foi arrancada do lar, deixando para trás objetos simples como um jogo de xadrez, uma escova de cabelos, uma calçadeira…

Já fui à casa onde Manuel Bandeira nasceu, em Recife, onde hoje em dia funciona o restaurante Mafuá do Malungo – nome de um dos livros do poeta -, não é museu, mas tem um sentimento de recordação e preservação. Já visitei também La Chascona, a casa de Pablo Neruda e Matilde, em Santiago do Chile.

Ainda preciso conhecer o Centro Cultural Mário Quintana, em Porto Alegre, e a Casa do Rio Vermelho, onde Jorge Amado e Zélia Gattai moraram, em Salvador.

Ano passado conheci a Pinacoteca de São Paulo, por conta de uma exposição de Tarsila do Amaral. Linda, linda, linda. Vi os Operários e o Abaporu bem de pertinho…

No mesmo dia em que estive na Pinacoteca, atravessei a rua e fui até à Estação da Luz, visitar o Museu da Língua Portuguesa (o André brinca que é o Museu da Língua Linguaruda!). Vimos a exposição do Gilberto Freyre (maravilhosa!), além de visitar a Praça da Língua.

Esse ano voltei ao Museu da Língua Portuguesa, para a exposição do Machado de Assis e só posso dizer que, baseada na do Gilberto Freyre, eu esperava bem mais.

Já visitei o MAM, no Ibirapuera, mas confesso que não me chamou muita atenção. Talvez porque no mesmo dia conheci o MASP e nada conseguiu suplantar a emoção que ele me causou.

Quantas vezes eu for ao MASP e quantas vezes eu ficar diante dos Retirantes, de Portinari, eu vou chorar. Já me conformei com isso. Poderia citar muitas e muitas obras de arte, mas esse choro perante os Retirantes resume bem, acho, o que sinto quando vou aquele lugar.

Todas as vezes que vou ao MASP as pessoas em que mais penso são os meus alunos. É sempre deles que eu sinto falta pra comentar as belezas que encontro no museu.

Faz duas semanas, vi a exposição do Vik Muniz lá. As peças dele nos fazem ver que é possível extrair o belo de qualquer coisa e transformá-lo em arte. Linha, chocolate, espaguete, sucata, açúcar, diamantes, papéis de revista picotados, nuvens, geléia, pasta de amendoim – é ilimitável o poder de adaptação, criação e associação de Vik. É apaixonante e encantador. Surpreendente – você olha a composição e parece um desenho normal; você se aproxima e está lá, as mais diferentes texturas brincando diante dos olhos.

E teve o Museu do Futebol. Tão high tech quanto o Museu da Língua Portuguesa, o Museu do Futebol rendeu uma ótima tarde no Pacaembu, em janeiro. Depois dele ficamos, André e eu, idealizando museus modernosos para o Rio de Janeiro também.

Afinal, em que outro lugar do Brasil um Museu da Telenovela poderia existir além do Rio de Janeiro? E o que dizer do Museu do Carnaval? E o Museu da Música? Seria lindo, sim?

Pra fechar, tenho que falar das lojinhas!

Ah, as lojinhas dos museus são um caso (tentador) a parte… Tenho canecas, lápis, marcadores de livro, postais, livros, livretos… Tenho até um quepe e uma bolsa de vinhos (tum! compra perdulária!) da casa do Neruda… Quem nunca foi às lojinhas dos museus que atire a primeira pedra…

PS – No Belém, Belém, você procurando achará fotinhas de alguns desses museus. ;)

Odeio chuva

Por Luciana | 01/12/2008, 14h14

Quando eu tinha uns dez anos, lembro nitidamente de uma cena: mais uma vez chovia na hora da saída da escola e ficávamos todos amontoados no pátio, esperando os pais e/ou responsáveis. Aqui em Belém, onde moro, pode chover o que for, nunca esfria. Pelo contrário, fica abafado que só vendo.

Foi quando eu disse, curta e grossa, pra minha professora da 4ª série, a tia Terezinha: – Odeio chuva!

Minha professora me ensinou naquele dia a lição que, de todas, eu guardo até hoje com mais carinho: – Não fale assim. A chuva é uma bênção. Sempre que você se irritar com a chuva, lembre daquelas pessoas do sertão nordestino que nós estudamos nas aulas de Estudos Sociais. Pense no quanto elas queriam essa chuva, mas não têm.

Há quase 20 anos eu sempre lembro. Toda vez que pego uma chuva inesperada que me molha da cabeça aos pés, toda vez que fico presa em algum lugar, esperando a chuva passar.

Anos antes da tia Terezinha ter me dito aquilo, fiz uma viagem de carro com meus pais e meu irmão – e mais meus tios e primos – pelo Nordeste praticamente inteiro. Meus tios e primos moravam em Salvador e saímos de Belém até lá de carro, só faltando mesmo conhecer Aracaju – mas um dia ainda vou a Aracaju só por causa da Isabela, do Gil e do Rafael.

Temos fotos daquela viagem. Muitas fotos. Fotos de grutas, de praias, de sertão. Temos fotos até da montanha em forma de galinha do filme O cangaceiro trapalhão.

E temos fotos de famílias abandonadas no meio do nada. Vimos os Retirantes de Portinari ao vivo e a cores. Vimos a família de Fabiano e Sinhá Vitória. Acabávamos comendo pouco nas paradas, porque sempre dávamos a essas pessoas os biscoitos, os sanduíches e os refrigerantes que tínhamos levado. Eles olhavam assustados pra aquelas latinhas de refrigerantes.

Meu irmão tinha onzes meses quando fizemos essa viagem. Hoje ele tem 24 anos. De dois em dois anos minha mãe viaja de ônibus com as colegas do trabalho para congressos de biblioteconomia que, geralmente, são no Nordeste. Ela já foi a Recife, Natal, Salvador.

Elas levam sacolas com cestas básicas e vão dando nas paradas para aquelas famílias esquecidas no meio do nada, igualzinho há mais de 20 anos…

PS – Você sabia, leitor, que o Piauí é o estado mais pobre do Brasil? Você já ajudou as pessoas que moram lá de alguma forma? Mandando dinheiro, mantimentos, roupas? Não? Puxa… Aproveita… É Natal…

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