Agridoce

porque eu sou um agridoce de menina…

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Dez anos depois

Por Luciana | 29/09/2009, 01h40

Mais um dos textos que estou devendo e que hoje rolou.

Esse texto é pra você que jura que eu odeio a, b ou c.

Há duas semanas foi preso o único ser nessa vida que eu realmente odeio e ele atende pelo nome de Rafael Lobato.

O Rafael Lobato há dez anos tirou a vida de uma das pessoas mais queridas pra mim, o Yuri.

O Yuri tinha 16 anos, teria 26 agora. Nos conhecíamos de um clube de jogos em rede e ele era o único que tinha paciência pra jogar Diablo II comigo.

Parênteses aqui: (Nas palavras do presidente do clube, o clube não era de jogos, era de amigos. Os jogos eram só um pretexto pra que aqueles amigos se reunissem todos os finais de semana em uma casa cor-de-rosa por fora e azul por dentro… uma das casas mais queridas pra mim nessa vida)

Eu de vez em quando paro e penso como o Yuri seria agora. Se ainda jogaria, se ainda andaria de patins que nem louco pelas ruas, se ainda jogaria RPG, se já teria se formado, se teria se formado em que, se teria conquistado a garota por quem ele era apaixonado… Se, se, se.

Foragido da polícia, o Rafael finalmente foi encontrado no Ceará e retornou ao presídio em Belém.

No dia que soube da prisão dele liguei pro presidente do clube – das pessoas mais queridas do mundo todo – e dei a boa nova. Falei que a minha vontade era ligar pra todos, era falar com todos do clube. Ele disse que pelo menos com o Marco eu deveria falar e disse que tentaria arranjar o número do telefone dele. Mas não conseguiu.

O Marco era meu namorado na época em que conheci o Yuri, praticamente conheci os dois juntos. Eram muito amigos também, a ponto de, no inicinho do nosso namoro, o Marco perguntar ao Yuri o que ele achava de mim.

A resposta do Yuri é o elogio mais querido que já fizeram a mim: “A Luluca? A Luluca é o Beatles, Marco!”

Não sou muito de sair, mas no dia seguinte da notícia da prisão saí com duas amigas. Ao entrar na boate, a primeira pessoa com quem dei de cara foi com meu ex-namorado.

Encontrei o Marco na pista e nos abraçamos e gritamos um no ouvido do outro que aquele desgraçado finalmente está preso, e que isso não traz o Yuri de volta, mas dá um alívio que há dez anos esperamos. Sem contar o cala-boca enorme que deve ter sido na mãe dele, a senhora debochada e cretina que riu do país inteiro no Linha Direta sobre o caso.

Portanto, você que jura que eu lhe odeio, eu não lhe odeio não. A única pessoa que odeio é essa, que tirou a vida toda que o meu amigo ainda tinha pra viver.

Muito provavelmente, você que jura que eu lhe odeio, eu só não gosto de você…

nostalgia

Por Luciana | 27/09/2009, 20h16

oi, leitor, você ainda tá aí?

eu ainda estou aqui, acredite.

fiz trinta anos.

amarguei um inferno astral filho da mãe antes do meu aniversário. uma nostalgia imensa. você sabe, a nostalgia é a saudade que dói.

dias antes do aniversário, um aluno me deu um recorte de jornal, com uma crônica, dizendo que tinha lido e lembrado de mim.

e o texto era sobre… nostalgia.

era de um cara dizendo as mil coisas que causavam nostalgia nele.

eu quase morri de chorar ali mesmo, mas não chorei porque sou uma professora dura na queda, né?

o engraçado é que ele recortou o texto e tirou o nome do autor.

aí perguntei pro Google de quem era aquele texto e ele me respondeu que era do José Roberto Torero.

e agora eu meti na cabeça que tenho que dar um livro do Torero pra esse meu aluno, porque é tão raro eles se interessarem pela leitura, é tão rara essa troca… fora o fato do texto realmente ter tudo a ver comigo naquele momento.

aí fiz trinta anos e minha nostalgia passou.

e meu tcc estacou. o meu blog estacou.

se você soubesse a lista enorme de coisas que tenho pra escrever aqui. tenho tudo anotado em um caderno.

mas eu continuo aqui e espero que você continue aí.

a emoção desse blog que não é emo, é emotivo, continua aqui também.

um beijo.

Ao bem-amado

Por Luciana | 23/07/2009, 14h14

Olha, já faz um tempo que venho pensando em escrever sobre casamento.

Aí, quando foi anteontem, a Eva me enviou um mail sobre um casamento de dois jovens que namoravam desde a adolescência.

Ela tinha câncer em estágio terminal, contudo fez questão de tratar dos mínimos detalhes do casamento.

Eu poderia terminar meu relato dizendo que, infelizmente, ela faleceu cinco dias após à cerimônia, mas não o farei.

Não, porque o que ando pensando muito sobre casamento tem justamente a ver com isso: tempo.

São muitas – quase todas as que conheço! – as pessoas que perguntam quando vou me casar. Eu sempre respondo que ainda falta – a resposta mais subjetiva do mundo, eu sei.

A verdade é que entendi que dizer que quero logo me casar é veladamente dizer que quero logo ver o homem que eu amo todos os dias, afinal, ao casar, não vou mais viver longe fisicamente dele.

Tirando isso, minha felicidade já vem de quatro anos, quando eu o conheci. Ou seja: se eu morresse cinco dias depois do meu casamento, ainda assim, teria encontrado aquela pessoa que muitos levam vidas e vidas sem encontrar – a moça das fotos que a Eva me mandou, com absoluta certeza, também encontrou aquela pessoa.

E, então, só posso mesmo concordar com Vinicius de Moraes e reafirmar que “tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada – para viver um grande amor”.

Mais importante que o tempo que você passe com o seu bem-amado é que você o encontre para viver um grande amor.

O grande amor.

Tina – um ano depois

Por Luciana | 09/07/2009, 01h01

Há uma semana recebi um mail do Plaxo: dia 09 de julho, aniversário de Tina Oiticica Harris.

:(

Infelizmente não falei com a Tina no aniversário dela do ano passado e não falarei esse ano. Mas pra compensar a falta das palavras dela não só escritas quanto faladas, tenho duas coisas a dizer:

Primeiro, repetir o mail amoroso que enviei à Tina no ano passado, sem saber da morte dela -

Tina, querida, feliz aniversário.
Eu gosto muito de você e desde nossa última conversa pelo Skype venho pensando bastante em ir aí um dia conhecer você e sua família. Ou mesmo ir te encontrar quando você voltar ao Brasil.
Desejo toda a felicidade pra você hoje e sempre. Você tem uma família linda e é isso que importa. Se metade da blogosfera brasileira tivesse carinho dentro de casa não seria tão boba e fútil.
Espero que você tenha aproveitado bem o seu dia e depois quero saber como foi.
André tá em Recife a trabalho e me mandou o áudio de duas horas de nossa conversa… Estou selecionando as partes que acho mais interessantes e divertidas pra que ele coloque no programa.
Não postei sobre você, mas farei isso assim que o podcast ficar pronto, sim? Será seu presente de aniversário.
Um abraço grande e muita, muita alegria, saúde e paz da sua amiga amazônica,
Luciana.

Segundo, dizer que hoje o Love Live - podcast meu e do André – volta em grande estilo, depois de um ano de luto. Colocamos no ar finalmente o programa que gravamos com a Tina no final de semana antes dela nos deixar - o programa seria uma homenagem pelo aniversário dela, no ano passado.

Pra fechar, uma das certezas que André e eu sempre comentamos: a Tina sem dúvida alguma faria parte desse miniportal familiar, o Dialética. Em nossa conversa no Love Live cada um poderá entender os motivos.

MUITO feliz com o Dialética

Por Luciana | 03/07/2009, 09h09

“É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples” (Dialética – Vinicius de Moraes)

Para o André

Dia desses – acho que foi domingo, assim que o Necessaire entrou no ar – não resisti e liguei pro André pra dizer: – Ei, eu tô MUITO feliz com o Dialética!

Ele riu, perguntou se eu estava mesmo feliz, e eu confirmei que sim.

Em novembro do ano passado, quando iniciou, o Dialética só abrigava meu blog, o Agridoce; o blog com as fotografias que faço, o Belém, Belém; o podcast em que eu discuto a relação com o André, Love Live; o Se7e Segundos, do André; e o Próximos Capítulos, blog de novelas meu e do André também.

Nem preciso dizer que o grande responsável pelo Dialética.org é o André – eu sou a irresponsável. Eu sonho e ele realiza. Ele fez todo um esquema no Flickr pra eu poder postar por lá as fotinhas que ficam aqui, no Belém, Belém; faz o feed por mail dos blogs (rá!); se você digita o endereço errado de alguma página nossa e lê um poema, também é por ideia dele; e se sabe de todas as postagens pelo Twitter, é porque ele fez a coisa toda por lá – acredite, o Dialética tem mais seguidores que eu e eu acho isso lindo!

Até que em março desse ano o André trouxe o blog famoso dele – Marmota Mais dos Mesmos – para os nossos domínios. Quando ele veio, o “familiar” que designava o miniportal que criamos passou a fazer total sentido.

Mas decidimos não esperar os filhos se tornarem blogueirinhos para aumentar a família de blog do Dialética e começamos a convidar nossos amigos – que, afinal de contas, também são da família – para participar do miniportal.

Então veio a Cláudia, veio a Marília com o Rodrigo, veio a Luna. O Adilson, a Yasmin, o Cassio. A Eva, o Marcelo, a Elis, a Tainá.

Por conta do Blog da Copa, veio o Doni, o Marcos VP, o Pedro, o Leandro.

São pessoas que não preciso de links pra identificar porque são amigos do homem de todas as minhas vidas, meus amigos, amigos nossos.

Por isso estou TÃO feliz.

Mas como diz o André, sempre quero mais… Por isso, quero ainda a Lúcia aqui, a Pat…

Eu já disse aqui, né? Como são poucos, meus amigos são os melhores. ;)

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