porque eu sou um agridoce de menina…

“Quem te implora é a outra Maria
a Maria qualquer
a Maria aprendiz
eu também quero ser
quem não quer?
quero ser feliz”

Talvez outubro seja mesmo o mês que eu mais goste. Gosto de outubro por algumas razões bem palpáveis e por outras nascidas daquelas minhas associações malucas de quem vive com um pé no mundo paralelo.
Então outubro, como outono, como outrora, é daquelas palavras que a gente enche a boca pra dizer e quando diz abre um sorriso! E eu adoro fazer isso. Adoro outubro porque é um mês todo cheio de primavera mesmo eu não sabendo direito o que é primavera.
Outubro é o mês do Círio de Nazaré. O Círio é, como diria Jorge Amado acerca de Gabriela e do amor, algo que não se prova nem se mede – existe e basta.
Essa festa que acontece no 2º domingo de outubro em uma cidade meio azul, meio caos chamada Belém, se derrama por todo o mês, colorindo as ruas e as pessoas que dela participam.
Em outubro, Belém faz jus ao título de “Cidade das Mangueiras” e suas árvores ficam repletas de mangas verde-amarelas. É como se a santa dissesse: “No meu mês ninguém vai ficar sem comer por essas bandas”.
As pessoas se cumprimentam, desejando “Feliz Círio” pra lá e pra cá, de modo que o Círio é conhecido como o “Natal dos Paraenses”.
E além dos paraenses, o Círio atrai pessoas do mundo todo. Pessoas que têm fé. Pessoas que saem com aquelas fitinhas coloridas amarradas a três desejos no braço; que se afogam em bacuri, tacacá, pato no tucupi, cupuaçu, açaí, guajará, guamá, maniçoba, patchouli e lírio.
Tem o Auto do Círio, a corrida do Círio, o almoço do Círio, a roupa do Círio. O Círio fluvial, o Círio das crianças, o Círio dos jovens, o Círio dos rodoviários. A guarda da berlinda, a corda, os carros de anjos e milagres, os fogos, os papéis picados, o coro, a banda, os romeiros. As bandeiras de todas as cidades do estado, conduzidas por alunos do Colégio Marista.
Todo ano é confeccionado um manto para a Virgem, um cartaz comemorativo. E, acredite, a maioria das casas católicas mantém esse cartaz na porta por todo ano, como forma de proteção.
É a época em que começa a chover pra valer em Belém, o que soa como uma bênção sobre nossas vidas.
Em outubro, em Belém, o Dia das Crianças é para todos porque existe um velho carrossel ao largo da Basílica; porque a gente se lambuza de maçã-do-amor; porque a gente canta aqueles hinos de igreja como antigamente; porque existem uns brinquedos de miriti, que nos fazem lembrar que a vida é dura como a madeira, mas essa madeira pode ser leve como o miriti. Um caboclo chamado Plácido me contou assim.

PS – Ok, eu sei que outubro ainda não chegou. Mas daqui a exatamente um mês vai ser o Círio de Nossa Senhora de Nazaré/2007 e quero fazer uma cobertura alternativa do evento para que os meus dois ou dez leitores participem mesmo que de forma indireta da festa. Fiz um cronograma e vou fazer dois posts por semana sobre o Círio e um sobre as amenidades de sempre. Como a coisa ficará intensa nos dias 12, 13 e 14 de outubro, pretendo postar em todos estes dias. Tomara que fique legal. ;)

PS nada a ver com o post – Lavagem a seco em Manaus?

Luciana
  1. claudia lyra Said,

    E tem como essa série de posts programada não ficar legal? Impossível! Ai, ai… vontade de conhecer tua terra, viu!

  2. Ricardo Said,

    Dois ou dez leitores? Isso é sonegação! “Agente samos” muitos mais! rs
    E aguardamos a cobertura exclusiva, hein?

  3. marilia Said,

    Luciana, que coisa maluca…
    eu estava visitando os blogs que gosto, lendo com calma os textos e pensando no que postar amanhã.
    dai, olho pro lado, vejo a minha imagem de Nossa Senhora das Merces, minha mãe protetora ( sou maluca, mas acredito nela),e penso : tá chegando a festa dela, é semana que vem, vou postar alguma coisa…
    dano a escrever, e paro para mais uma rodadinha, e olha o que leio aqui…
    quero saber tudo dessa festa …
    sou filha da Senhora,viciada nas brumas de avalon, e acredito nela…
    vou querer seguir, capitulo por capitulo…
    Bjos…

  4. Anderson Cabral Said,

    Outubro chegando, coração dos destarrados vai apertando, aquela vontade de sentir o Círio vai aumentando… Pesquiso sobre minha mãe Rainha e encontro essa beleza de texto, que me dá o nó na garganta e faz a lágrima querer saltar. Muito obrigado!

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